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Dr. Automóvel: O fluido de freio

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 3 min

Quase sempre relegado a um segundo plano, o fluido de freio é um item de extrema importância na segurança do automóvel. É um tipo de fluido hidráulico usado para acionamento das pinças e tambores de freio nas rodas. O uso de sistemas hidráulicos de acionamento de freios possibilita uma maior pressão sobre as lonas e pastilhas com menor pressão no pedal, além de permitir um roteiro duplo de tubulação, que torna a frenagem mais segura.Ao pisar no pedal de freio, exerce-se uma pressão que empurra o fluido como um todo, pois é praticamente incompressível, que fará com que a pinça do freio a disco ou sapata do freio a tambor encoste-se à sua contraparte e freie a roda.

Como todo líquido é considerado incompressível, generalizou-se o uso de sistemas hidráulicos para acionamento de freios de praticamente todos os tipos de veículos, sejam automóveis, caminhões, motos, trens, aviões, etc. Isto significa que toda força aplicada pelo pedal ao fluido em uma extremidade da tubulação chegará à outra extremidade com praticamente a mesma intensidade, transmitindo corretamente a pressão do pedal às pastilhas e lonas. Veículos com menor velocidade de deslocamento como bicicletas e tratores agrícolas ainda usam sistemas mecânicos de cabos e alavancas para acionamento dos freios, mas mesmo nestes veículos também existem versões hidráulicas, muito mais eficientes de acionamento.

Como disse, o fluido de freio é um tipo bem específico, pois precisa manter duas características fundamentais para garantir o perfeito funcionamento do sistema de freio, que são a incompressibilidade e a capacidade de suportar altas temperaturas de trabalho. Isto porque o freio quando acionado gera muito calor, que se espalha por condução por toda tubulação ou por convecção pelo ambiente. Este calor poderá ferver o fluido e transformá-lo de líquido em vapor, que é compressível por definição. Isto tornaria o pedal “borrachudo” ou elástico, ou seja, dando a impressão de (e realmente fazendo isso) não pressionar corretamente os freios e todo o sistema perder eficiência, comprometendo a segurança.

Os fluidos de freio geralmente são classificados conforme uma padronização do US DOT (United States Department of Transportation, ou Departamento de Transportes americano) como DOT3, DOT4 ou DOT5, sendo este último detalhado se contém silicone na sua base de composição ou DOT5.1, de Base Não-Silicone.

Cada graduação crescente acima demonstra a evolução de desempenho do fluido. A versão DOT5 tem ponto de ebulição superior às outras graduações, o que significa que suporta mais temperatura. Quando o sistema atinge esta temperatura, o fluido ferve e deixa de atuar como deveria. Portanto, o DOT5 aguenta sistemas de freio mais solicitados e esportivos do que os outros. Um fluido DOT5 também apresenta uma menor viscosidade em baixas temperaturas, o que também é um avanço sobre as outras composições mais antigas.

A manutenção preventiva de todos os carros sugere que este fluido seja completado regularmente a cada revisão e substituído a cada um ou dois anos, pois pode estar contaminado com água (da umidade do ar) ou outros componentes, o que afetaria sua eficiência. A água não suporta as altas temperaturas a que o sistema de freio está submetido, pois ferve a 100ºC e seu vapor pode ocasionar bolhas (que são compressíveis) que absorvem a pressão do pedal e não transmitem toda a pressão ao freio, dando a sensação de ficar borrachudo.

Existe um aparelho simples que se coloca no reservatório de fluido de freio para verificar se está contaminado ou não. Em uma verificação de rotina, caso ainda esteja em boas condições o fluido não necessitará ser trocado, apenas completado quando necessário. Um pequeno consumo de fluido é perfeitamente normal pelo aquecimento e evaporação. Caso seja necessário preencher regularmente o reservatório ou o volume perdido seja muito grande, consulte seu mecânico para verificar possíveis vazamentos no sistema e conserte de imediato.

Tem gente que só pensa em consertar depois que quebrou ou parou de funcionar. Acha que vai gastar muito e não liga, empurra com a barriga. Com freio não se brinca, ele não aceita desaforo. Nunca deixe para depois, é sua segurança

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