A Polícia Militar (PM) deteve em flagrante durante a madrugada de ontem, por volta das 4h20, dois rapazes acusados de produzir e vender entorpecentes no bairro Fortunato Rocha Lima, em Bauru. De acordo com a PM, Alexandre Cham Cavalcanti, 28 anos, e Romeu Gonçalves de Oliveira, 19 anos, foram encontrados numa residência na rua Maria Aparecida Salgueiro Garcia, que funcionava como ponto de refinamento de crack.
Em um dos cômodos dos fundos da casa foram localizadas uma balança de precisão, facas e tesouras para cortar grandes pedras de crack. Havia também 200 papelotes do entorpecente já embalados para consumo.
Policiais militares da Base Noroeste, que estiveram no local, afirmam que os blocos de crack que permaneciam inteiros seriam transformados em aproximadamente 4 mil pedras da droga, vendidas a R$ 10,00 cada. Nas vestimentas de Cavalcanti foram localizados 100 gramas de cocaína, além de R$ 20,00 em dinheiro.
Os policiais apreenderam também uma moto Honda CG vermelha, com placas de Bauru, que teria sido utilizada para fazer a venda das substâncias.
Os policiais chegaram ao local através de uma denúncia, que indicou a residência onde estariam os dois acusados. Com eles estavam também outros dois rapazes, que após a chegada dos policiais, conseguiram fugir. Os dois indiciados também tentaram fugir pulando o muro, mas foram cercados pelos policiais.
De acordo com Oliveira - que ajudava a manusear as substâncias e prepará-las para a venda -, o responsável pela produção dos entorpecentes seria Cavalcanti. Ele preparava o crack mediante aquecimento, misturando-o com outras substâncias.
A dupla comercializava a droga pelo bairro há algum tempo, porém, nenhum dos dois rapazes tinha passagem pela polícia. Eles foram autuados em flagrante no Plantão Policial, onde foi ratificada voz de prisão. Ambos foram conduzidos à Cadeia Pública de Duartina.
Efeitos nocivos
A ingestão do crack pelo fumo tem um efeito mais acentuado, já que penetra com rapidez nos tecidos pulmonares, atingindo facilmente o coração e depois o cérebro. Quando inalada, a substância tem que penetrar a membrana mucosa e depois circular no sangue até chegar ao coração, passando pelos pulmões antes de atingir o cérebro.
No organismo, as consequências do uso do crack são avassaladoras. A droga leva 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos: forte aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremor muscular, entre outros. Em apenas 15 minutos, surge novamente a necessidade de ingerir a substância.
No entanto, segundo a medicina, todo usuário de crack é um forte candidato à morte, já que a substância provoca lesões cerebrais irreversíveis devido à sua concentração no sistema nervoso central.
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‘Fabricação’ da droga
A “fabricação” do crack passa por um processo específico. Primeiramente, o traficante manipula uma base de cocaína e a aquece junto a outras substâncias, como bicarbonato de sódio, amoníaco e água. Dessa mistura surge o produto final, o crack, que possui este nome devido ao som proveniente dos resíduos de bicarbonato de sódio quando aquecidos.
Em seguida, a pasta da droga seca é transformada em blocos de pedra, geralmente com coloração branca ou amarelada. Depois, as pedras são cortadas em tamanhos menores, suficientes para caber em uma mão ou em forma de bolinhas, semelhantes a grãos de chumbo (com 125 ou 300 miligramas). Posteriormente, as pedras são embaladas em invólucros plásticos e comercializadas.
A dupla presa no Fortunato Rocha Lima ontem vendia as pedras da substância por cerca de R$ 10,00 cada, segundo a polícia. No cômodo em que foi localizada a barra de crack havia potes com as outras substâncias que seriam usadas para produzir o entorpecente, assim como panelas, que provavelmente eram utilizadas para aquecer e misturar a pasta do crack.