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Homens devem ser preparados

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Ao longo dos últimos anos, as mulheres no Brasil foram incentivadas a tornarem-se sujeitas da própria história. Evoluíram enquanto o pensamento de seus companheiros permaneceu estagnado, avalia Acyr Santinho Motta, presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina.

Por conta disso, o público masculino tornou-se o novo alvo de campanhas. “Ele é obrigado a fingir que aceita as mudanças. Aceita que ela trabalhe fora, que saia de casa, que fique grávida, que não seja mais virgem, mas, no fundo, a gente percebe que eles gostariam que fosse do outro jeito”, comenta Acyr.

Por conta da sociedade machista, a violência entre casais ainda é frequente, garante. “O homem acha que pode tudo, que é dono dela. Quando a mulher decide acabar com um relacionamento, por qualquer motivo, ele não aceita, mas é um direito dela”, acrescenta a presidente do conselho.

Na opinião de Acyr, o conflito pode explicar as tantas tragédias envolvendo ex-conviventes. “Ele não aceita ser rejeitado. É aquela coisa doentia do machismo junto com outros aspectos de cunho psicológico. Mesmo assim, a mulher está tomando coragem para sair do relacionamento que não a satisfaz mais, porém não é ainda a maioria”, admite. Para Acyr, seria interessante que canções como “Começar de novo”, de Ivan Lins, continuem soando.

Ela foi escrita para o seriado “Malu Mulher”, estreado pela Globo em 1979. Contava a história de separação de Malu e Pedro Henrique, que viviam brigas com agressões físicas e verbais. No decorrer dos capítulos, ela sai de casa, enfrenta dificuldades para manter-se e à filha. Depois, mais amadurecida, consegue trabalho fixo num instituto de pesquisa e está pronta para recomeçar a vida amorosa. “Foi uma alavanca para incentivar as mulheres a saírem da toca”, finaliza a presidente do conselho.

Embora o seriado seja da década de 70, sua história se mantém atual. Conforme o JC publicou na semana retrasada, a cada dia, pelo menos quatro mulheres sofrem algum tipo de violência doméstica em Bauru. E estas são apenas as que procuram a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para registrar queixa contra seus companheiros ou ex-companheiros.

Estima-se que pelo menos outras quatro, caladas sob o signo do medo, não são incluídas nas estatísticas porque não procuram ajuda e permanecem subjugadas pela covardia de seus maridos, amásios e namorados.

Conseguir distanciar-se do relacionamento é necessário para enxergá-lo melhor, segundo Antonia Maria de Oliveira Trípodi. Ela é mãe de Fernanda, desaparecida desde 17 de dezembro do ano passado. Considerado foragido da Justiça, seu genro, Roberto Carlos Fagundes, é investigado pela Polícia Civil por suposto envolvimento no sumiço e eventual morte de Fernanda.

Para Antonia, a mulher que trabalha fora tem mais chance de ficar longe e fazer essa avaliação. Quando está muito envolvida, fica ainda mais refém de relacionamentos turbulentos. “Com o serviço, também tem menos tempo de brigar. A vida toda da Fernanda foi trabalhar. Desde os 13 anos ela me ajudava em casa. Era babá”, recorda.

A filha de dona Antonia chegou a procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para denunciar o marido. “Mas acho que ele fazia a cabeça dela e a queixa era retirada. Ela chegava com manchas roxas perto de mim. Eu perguntava o que era e ela dizia que não era nada”, comenta.

Para Antonia, relacionamentos que terminam em tragédia são históricos e devem continuar acontecendo, independentemente dos esforços da sociedade civil.

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