Bairros

Um ‘baís bromissor’

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Quem imagina que, para os libaneses que se estabeleceram em Bauru, uma das maiores dificuldades foi dobrar a língua para alcançar fonemas recheados de erres, se engana. Isto porque, no Líbano, 90% da população é alfabetizada em dois idiomas, que incluem, além do árabe, o francês ou o inglês.

A grosso modo, driblar as diferenças de linguística e estabelecer uma comunicação com os que aqui viviam quase não foi problema para a colônia. Contudo, por mais habilidade que os libaneses tinham em entender e se fazer entender por brasileiros, algumas letras trocadas foram o suficiente para estereotipar a colônia.

No lugar do ‘p’, o ‘b’; em vez de ‘v’, ‘f’; e, somado à isso, algumas confusões quanto aos gêneros masculino e feminino, eram os erros cometidos com maior frequência pelos ‘brimos’ (grau de parentesco pelo qual a colônia se identifica).

“No alfabeto árabe não existe as letras ‘p’ e ‘b’, por isso a dificuldade dos libaneses em alcançar este som. Quando os brasileiros falavam ‘país’, por exemplo, os árabes não conseguiam perceber esta diferença de pronúncia e repetiam ‘baís’”, explica Omar Fayad, 63 anos, descendente de libaneses.

Atualmente, apenas uma pequena parcela dos descendentes que vivem no município mantém as tradições e falam a língua de origem. Além disso, nenhuma escola de idiomas da cidade oferece curso de árabe.

“É muito difícil aprender árabe em Bauru. Sinto que, na cidade, o idioma está se perdendo conforme os imigrantes estão falecendo, já que os descendentes, em sua maioria, não demonstram interesse pela língua”, analisa.

Frente ao problema e com intuito de facilitar a vida de interessados em aprender árabe, Omar decidiu elaborar um dicionário com termos coloquiais. Foram três anos de dedicação para produzir o livro, que será lançado no início de agosto pela editora Edipro e terá valor de R$ 45,00.

“Acredito que o dicionário é de utilidade pública. Garanto que falar árabe é bem fácil, dá para aprender rapidamente. O maior problema é ler e escrever, já que a grafia das palavras é bastante diferente, além de ser feita da direita para a esquerda”, afirma.

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