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Centrinho atrai estudante de Harvard

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Desenvolta, determinada e dedicada. Assim é possível descrever um pouco da estudante de odontologia Kelley Dentino, 22 anos, que veio da cidade de Boston, nos Estados Unidos, para aprender um pouco mais sobre anomalias craniofaciais no Hospital da Universidade de São Paulo (USP), o Centrinho de Bauru, e aprimorar a língua portuguesa para atender pacientes brasileiros nos consultórios da universidade que frequenta.

Kellen nasceu em Nova York e há cinco anos foi morar em Boston para cursar a “college”, mais conhecida pelos brasileiros como a faculdade. Mas por lá o ensino não é como no Brasil. “A faculdade é um básico geral onde nós estudamos de tudo um pouco, biologia, ciências, história, para depois escolhermos o que queremos cursar especificamente”, explicou Kelley.

Para conseguir uma vaga na escola de Harvard, Kelley teve que estudar muito e manter ótimas notas durante o período escolar. “Além de passar por uma prova, nós temos que ter notas muito boas na escola e também atividades extra-curriculares. Apenas 30 foram aprovados no curso de odontologia, enquanto em outras faculdades são aprovados 200”, relatou.

Ela decidiu que iria estudar odontologia depois de descartar a profissão de médica. “Eu trabalhei em hospitais e ambulâncias e vi que a vida de médico era estressante. Eles não tinham tempo para a família. Meu pai é periodontista e vi que alguns amigos que tinham a mesma profissão que ele levavam uma vida normal. Então, parti para a odontologia”, contou aos risos.

A estudante aprendeu a falar português em apenas um mês. Seria isso possível? Para ela sim. “Eu aprendi o espanhol na escola e na faculdade. Decidi aprender o português porque existem muitos imigrantes brasileiros que procuram atendimento na faculdade de Harvard. Como eu já sabia o espanhol, ficou mais fácil. Então comecei a ler artigos. Meus amigos aqui de Bauru também me ajudam muito”, ressaltou.

Escolha

O projeto de pesquisa de Kelley foi o que a trouxe para o Brasil. “Eu escolhi estudar as anomalias craniofaciais porque lá não existem tantos casos como no Brasil, então, não tem nenhum hospital especializado como este do Centrinho. Lá nós temos um hospital muito pequeno, mas nada comparado a esse. Nosso hospital atende crianças e faz algumas pequenas cirurgias. Aqui o hospital é muito bom”, salientou.

Um auxílio do governo americano proporcionou à estudante uma oportunidade de estudar fora do país. “Em Harvard não é difícil conseguir uma bolsa. Eles dão um valor que dá para cobrir as passagens e o custeio no Brasil”.

Kelley teve uma professora intermediária da USP, que esteve em Harvard para um estudo de pós-doutorado e falou da possibilidade ao professor da estudante.

“Nós só temos um período de férias nos quatro anos de faculdade. Essas serão minhas únicas férias, então, aproveitei o período para fazer minhas pesquisas porque tenho que apresentar esse estudo no final do curso”.

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Aprendizado

Para a estudante de odontologia Kelley Dentino, 22 anos, o aprendizado no Centrinho de Bauru tem sido muito importante e também muito tocante. “Aqui eu aprendi a ver radiografias muito bem. Eu também me emocionei com muitos casos de crianças. Fiquei muito tocada porque famílias inteiras vêm do Brasil inteiro para fazer o tratamento”, enfatizou, emocionada.

O trabalho árduo começa às 8h. Ela acorda, vai para o hospital, almoça e só volta para o alojamento à noite. “Eu já acompanhei cirurgias plásticas de reconstrução labial e acompanho alguns atendimentos. Tudo é muito interessante”, diz a estudante, que veio ao Brasil para se aperfeiçoar no estudo de anomalias craniofaciais no Centrinho.

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‘O Brasil não é só favelas e floresta’

Aos risos, Kelley Dentino conta que, quando decidiu vir a Bauru, muitas pessoas a assustaram dizendo que ela seria assaltada no Brasil. “Meus pais falavam: Cuidado! Você vai ser assaltada lá! Não converse com ninguém! O Brasil só tem favela e floresta! Eu nunca tinha vindo ao Brasil antes, mas vi que não é nada disso. Muitas pessoas acreditam nessa realidade deturpada”.

A estudante ficará em Bauru até o dia 15 de agosto e deve ainda visitar o Rio de Janeiro neste final de semana. “Quero ficar uns dias na praia com um casal de amigos americanos. Eles não falam nada de português, então, também vou ser a intérprete deles”, acrescentou.

A probabilidade da estudante voltar a Bauru é grande. “Eu adorei a cidade. O pessoal é muito hospitaleiro, todos querem me acolher e são muito legais. Vou ficar com saudades quando voltar a Boston. Espero voltar quando acabar a faculdade para fazer mais estudos”, finalizou.

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