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Adolescente morre 6h após receber alta

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Um adolescente de 17 anos morreu na madrugada de anteontem, por causas ainda desconhecidas, seis horas depois de receber alta do Hospital de Base (HB), em Bauru. Daniel Costa de Oliveira foi levado à unidade por sua tia e tutora, a diretora estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Susi da Silva, depois de sentir náuseas e fortes dores de cabeça.

De acordo com ela, ambos procuraram o Pronto-Atendimento do hospital porque é lá onde são socorridos os conveniados do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). No local, foram recebidos por um médico plantonista que é contratado do HB.

Daniel teria relatado os sintomas ao profissional que, afirma Susi, teria realizado um exame superficial no garoto. Ainda segundo ela, somente diante da insistência de que as dores que sentia eram intensas e atípicas, o médico teria decidido examinar sua garganta.

“Ele mal tinha colocado a mão no meu sobrinho, falou que era virose e já ia começar a prescrever uma medicação. Aí eu pedi para ele avaliar direito, porque eu perdi um vizinho com meningite pela falta de diagnóstico preciso. Depois ele deu mais uma olhada e atestou, por escrito, que o Daniel estava com uma infecção na garganta. Não pediu ao menos um raio-X”, comenta.

Como o rapaz também estava com quadro de diarreia, o médico teria recomendado soroterapia associada a medicamento analgésico e antiemético. Somente por esse motivo, o adolescente teria permanecido por mais meia hora no hospital. Depois disso, recebeu alta e voltou para casa.

Por volta da meia-noite, relembra Susi, novamente o sobrinho começou a sentir-se mal, ainda com as mesmas dores e episódios de vômito. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado por volta das 3h da madrugada, mas não houve tempo de socorrê-lo. “Foi tudo muito rápido, não havia mais nada a ser feito. Foi a funerária que removeu o corpo dele de casa para levar para o IML (Instituto Médico Legal)”, lamenta a tia.

Negligência

Ela conta que o garoto nunca apresentou problemas de saúde anteriores, afora uma sinusite que vez ou outra o incomodava. “Ele tinha uma vida normal como qualquer adolescente de sua idade. Ele falou para o médico que a dor que ele estava sentindo era diferente das que já tinha sentido por conta da sinusite, mas não foi ouvido. Para mim, este é um caso explícito de negligência médica”, avalia.

Daniel estudava na escola estadual Irmã Arminda Sbrissia e foi homenageado pelos amigos e colegas de sala durante o enterro, que foi realizado ainda anteontem. No mesmo dia, Susi registrou boletim de ocorrência para abertura de inquérito que deverá investigar as causas da morte do rapaz. “Ele era super saudável e a gente precisa saber o que aconteceu”, salienta.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Associação Hospitalar Bauru (AHB), que administra o HB, informou ainda não ser possível considerar a possibilidade de negligência, já que Daniel deixou a unidade em bom estado de saúde. No entanto, o diretor técnico da associação, Aparecido Donizeti Agostinho, já determinou a instauração de uma sindicância para averiguar eventuais falhas no procedimento adotado pelo médico plantonista.

Ainda de acordo com a assessoria, o hospital aguarda a divulgação do laudo do IML, que irá estabelecer a causa da morte dentro de 30 dias, para posteriormente tomar qualquer providência sobre o caso.

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Meningite

Na última semana, três pessoas em Bauru foram diagnosticadas com meningite e um caso suspeito ainda está em fase de análise laboratorial. Também na semana passada, o primeiro óbito do ano pela doença foi confirmado na cidade. Segundo o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, as causas da morte de Daniel Costa de Oliveira, 17 anos, ainda terão de ser investigadas, mas ao que tudo indica, ele não deve entrar para a lista das vítimas de meningite. “Não parece ser um caso da doença porque ele não apresentou febre alta nem manchas pelo corpo, que são sintomas bastante característicos”, frisa.

O secretário estranhou o fato do município não ter sido comunicado sobre a morte do adolescente, como estabelece o protocolo do sistema de saúde. “É uma falha grave. Só ficamos sabendo porque a imprensa procurou a assessoria de comunicação da prefeitura.”

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