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Cinema promoverá direitos humanos

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Quando os irmãos Lumière inventaram o cinema no final do século 19, dificilmente imaginavam que ele seria utilizado na promoção dos direitos humanos. E é exatamente com essa função que será realizada a Mostra de Cinema e Direitos Humanos, durante o mês de agosto, no Sesc Bauru.

A realização é uma parceria entre o próprio Sesc e dois programas da Universidade Estadual Paulista (Unesp): o Observatório de Educação em Direitos Humanos (OEDH) e o Cineclube.

De acordo com a responsável pela programação cultural do Sesc, Sarah Caramaschi Degelo, a ideia de utilizar o cinema para promover os direitos humanos partiu da própria característica da arte. “O cinema tem uma qualidade expressiva muito grande. Ele possibilita uma imersão. Cria um enorme ambiente imersivo e isso é ótimo para estimular a reflexão”.

Ela ainda afirma que, além do potencial para reflexão, o cinema, como qualquer atividade cultural, pode ser utilizado para aproximar a população ao conhecimento produzido nas universidades.

O coordenador do OEDH, Clodoaldo Meneguello Cardoso, vai mais além. Para ele, a cultura é “uma das únicas portas que possibilitam a teoria produzida na academia a chegar até as pessoas”.

A mostra de cinema terá duas partes: a primeira é a exibição do filme e a segunda é uma breve discussão. Os organizadores destacam que não será uma palestra, mas mais uma troca de ideias.

“Não queremos deixar isso uma coisa chata. Não iremos fazer uma palestra longa, o ideal é realmente uma espécie de debate sobre o filme. Queremos algo mais atrativo”, explica Clodoaldo.

Obras escolhidas

Quando questionado sobre os filmes que serão exibidos, o coordenador do OEDH conta que a escolha não foi aleatória. Eles foram selecionados especificamente para abordar a questão dos direitos humanos e estimular o processo de reflexão.

“As obras são ricas culturalmente e o objetivo é atingir principalmente aos jovens. Todas tem uma temática que remetem às práticas de direitos humanos”, complementa.

Clodoaldo Meneguello exemplifica o pensamento com o filmes francês “Entre os Muros da Escola”, que será exibido no próximo dia 10. A história narra uma escola da periferia de Paris, onde diversas culturas convivem lado a lado.

“Nessa obra específica, temos a mediação de conflitos, que é um dos pontos cruciais no debate sobre direitos humanos. Nunca teremos a paz perfeita reinando. Isso é um ideal. Vivemos sob conflito. O que realmente precisamos é saber mediá-los. Esse filme retrata muito bem isso”, observa.

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Para coordenador, desigualdade é entrave

O coordenador do OEDH, Clodoaldo Meneguello Cardoso, explica que direitos humanos é um conjunto ético e político para construir a “felicidade coletiva e defender o fraco do forte”. Segundo ele, a legislação que garante esses direitos está avançada, porém, a cultura não acompanha esse progresso. “As leis são boas. O que não funciona é a cultura das pessoas. A lei dá garantias, porém, as pessoas não as cumprem. O objetivo do observatório é exatamente fazer com que a cultura acompanhe a evolução da legislação”, expõe.

E, além da mostra de cinema, o observatório trabalha com programas de rádio e televisão, palestras, grupos de pesquisa e até com trabalhos voltados a crianças. “Temos projetos que visam passar a noção de direitos humanos a crianças que tenham de 2 a 6 anos. É nessa idade que as crianças criam a percepção de preconceito. É lógico que precisamos agir de modo mais lúdico nessa faixa etária”.

O OEDH existe desde dezembro de 2007 e o presidente explica que são cinco frentes de ações que precisam ser trabalhadas para “criar a cultura dos direitos humanos”: a educação básica, a educação superior, a mídia, os movimentos sociais e as instituições que promovem a segurança.

Entretanto, se Clodoaldo Meneguello enxerga possibilidades de mudar a cultura, a parte estrutural parece ser um problema maior. “A cultura pode ser mudada. Mas, é preciso melhorar a grande desigualdade social em que vivemos. Se isso não acontecer, o problema que envolve os direitos humanos continuará existindo”.

Outro ponto que o coordenador frisa e pretende desmentir é o estereótipo de que direitos humanos defendem determinadas classes. Ele afirma que a defesa existe sempre em relação ao mais fraco.

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