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Show da Esquadrilha encanta público

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

“Olha o ‘vião’”. Foi assim que Gabriela Marquizeppe, de 2 anos, saudou as aeronaves da Esquadrilha da Fumaça que se apresentaram ontem, às 16h, no Aeroclube de Bauru. A exibição era mais uma das atrações da comemoração dos 114 anos da cidade.

A pequena garota foi uma das 12 mil pessoas - público estimado pela Polícia Militar (PM) - que lotaram o local. O pai de Gabriela, Marcos Marquizeppe, também adorou a apresentação que, segundo ele, é um excelente programa para toda a família.

Minutos antes da chegada dos aviões, que saíram da base da Força Aérea Brasileira (FAB) em Pirassununga, o público já empinava a cabeça à procura da atração principal. As crianças eram as mais ansiosas e algumas entoavam o canto de “queremos avião, queremos avião”. Enquanto os verdadeiros não chegavam, elas “imitavam” as manobras com pequenas réplicas de isopor das aeronaves.

Quando o barulho começou a ficar mais alto, era o sinal de que os aviões estavam chegando. Logo ao avistarem as sete aeronaves “Tucanos”, todos já bateram palmas e começaram a gritar.

A apresentação já começou bastante animada, com a realização de um looping. O capitão aviador e também piloto da Esquadrilha da Fumaça, Carlos Henrique Baldin, narrava as manobras em um caminhão de som e as explicava ao público.

Porém, não era nem preciso. As pessoas pareciam especialistas em entender o grau de dificuldade e a grande habilidade dos pilotos. Toda vez que havia um cruzamento bem próximo entre aeronaves ou que elas voavam de ponta cabeça, muitos colocavam as mãos na boca e exclamavam: “Ai meu Deus, agora vai bater”.

Matheus Ávila Cardoso e Renato Lemos dos Santos, ambos de 12 anos, faziam parte dessa parte do público que “sofria” a cada manobra. “Fiquei com um pouco de medo quando o avião foi bem alto e desligou os motores. Nessa hora, me deu um friozinho na barriga”, confessa Matheus.

Renato sentiu a mesma coisa, porém, em outra manobra. “Quando cruzou dois aviões, um e outro bem pertinho, eu achei que fosse bater’, relembra.

Entretanto, felizmente, não houve problema algum e a apresentação foi um sucesso. De acordo com o capitão Baldin, a habilidade dos pilotos é resultado de muito treino e competência. “Eles sabem muito bem fazer isso. Mas, mesmo assim, eu confesso que dá um friozinho na barriga e uma emoção diferente. E olha que eu voo há 14 anos”, revela.

As manobras

Durante 30 minutos de apresentação, as aeronaves realizaram 22 sequências de manobras em equipe com 55 acrobacias individuais.

Iniciando com um looping, elas variavam bastante. Entre as que mais agradavam o público, estava o “cruzamento simultâneo”, quando seis aeronaves passaram bem próximas umas às outras e arrancaram suspiros das pessoas que assistiam atentamente.

Outra que provocou grande adrenalina foi a formação do “espelho”, com seis aeronaves (manobra exclusiva da Esquadrilha da Fumaça). Nela, três aviões voavam normalmente, enquanto, sincronizados e logo abaixo à eles, vinham mais três aeronaves de cabeça para baixo.

De acordo com o capitão Baldin, a dificuldade em voar de cabeça para baixo é muito grande, pois os controles ficam todos invertidos.

Houve até mesmo aula de ciência com a manobra “DNA”. Ela consiste em um avião passar em linha reta, enquanto outros dois passam fazendo um formato de hélice. A fumaça que fica forma o mesmo desenho de uma cadeia de DNA.

No fim da apresentação, em contato por rádio, o tenente-coronel José Aguinaldo de Moura, o líder do grupo, agradeceu a população pelo carinho e foi aplaudido por todos. No fim, o céu ficou marcado com a famosa assinatura da Esquadrilha: um grande coração feito com a fumaça das aeronaves.

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