São Paulo - As Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), unidade de elite da Polícia Militar, transformou-se no alvo dos mais graves ataques praticados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) neste ano em São Paulo. Um suspeito de integrar a facção criminosa foi morto ontem quando disparava contra o prédio do quartel da Rota, no Centro de São Paulo. Quinze horas antes, o comandante do batalhão, tenente-coronel Paulo Adriano Telhada, escapou ileso de um atentado à bala. A polícia ainda investiga a possibilidade de incêndios criminosos que destruíram 14 carros ontem de madrugada, na zona leste da capital paulista, terem ligação com as novas ações da facção criminosa.
O governador Alberto Goldman (PSDB) afirmou ontem que “não existe nenhum perigo que possa colocar em risco a segurança do povo paulista”. O Centro de Inteligência Policial da PM e três departamentos da Polícia Civil estão apurando os ataques. Suspeita-se que façam parte de uma retaliação dos bandidos às ações da Rota que atingiram as finanças da liderança da facção, com a apreensão de armas, drogas e dinheiro e a prisão de homens da organização. “Pode ser uma reação a eles”, disse Goldman.
As ações do PCC começaram às 11h de anteontem, na Vila Penteado, zona norte de São Paulo. O tenente-coronel Telhada retirava sua picape de casa quando percebeu a aproximação de um carro com dois homens. Ao ver o passageiro baixar o vidro e colocar a mão para fora da janela, Telhada se deitou no banco da picape. Os criminosos dispararam cerca de dez tiros e fugiram.
Por volta de 0h30 de ontem, um carro foi incendiado na zona leste. Mais dois ainda teriam sido incendiados em ruas da região. Por fim, 11 veículos aprendidos pela polícia foram queimados dentro de um pátio particular, por volta das 3h30.
Minutos depois, pouco antes das 4h da madrugada, policiais militares da Rota, que estavam de guarda no quartel na avenida Tiradentes, na Luz, escutaram disparos. Eles pareciam vir da rua ao lado, a João Teodoro. Os policiais foram verificar o que estava acontecendo e surpreenderam um homem de pé atirando em direção às janelas da lateral do quartel. Eles revidaram e balearam o criminoso, que morreu.
O rapaz foi identificado como Frank Ligieri Sons, de 33 anos. O acusado deixou em fevereiro a prisão em Guarulhos, na Grande São Paulo. Em sua ficha policial consta que ele foi acusado de dois roubos - um na região da Sé e outro na Lapa, em São Paulo -, um estupro e uma lesão corporal, estes em Guarulhos.
Outro bandido, que o aguardava em um carro, fugiu durante o tiroteio. Com Frank os policiais da Rota afirmaram ter encontrado um coquetel molotov e uma pistola calibre 40, mesmo tipo de arma usado no atentado fracassado contra o tenente-coronel Telhada. Ele é suspeito de integrar a facção criminosa.
O atentado contra a Rota está sendo investigado pelo Centro de Inteligência da PM e pelo Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).
Já o atentado contra Telhada é alvo de inquérito do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Uma das principais pistas neste caso é a placa de um carro que o tenente-coronel conseguiu anotar.
Os incêndios na zona leste são apurados pelo Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap). A polícia não descarta nenhuma hipótese para a autoria do vandalismo. Mas Goldman disse não ver relação dos incêndios com os ataques à Rota.
As ações contra a Rota colocaram a polícia e o sistema prisional em alerta. Homens das bases comunitárias da PM, por exemplo, foram orientados pelo comando a redobrar a vigilância.
Cones foram colocados na frente de quartéis, como o da Rota. Essas medidas de segurança são consideradas padrão pela polícia e já foram adotadas neste ano em outra oportunidade - em maio, quando os ataques de 2006 do PCC em São Paulo completaram quatro anos.
Por enquanto, a polícia ainda não identificou os outros participantes das ações contra a Rota e quem teria sido o homem da facção que determinou a realização dos ataques. (Colaboraram Marcelo Godoy e Tiago Dantas)