Internacional

EUA deixam combate no Iraque em 1 mês

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washingtom - Após escândalos seguidos sobre o Afeganistão, o presidente Barack Obama tentou desviar atenções ontem para o que pode dizer de positivo sobre as guerras americanas: o fim, neste mês, da missão de combate no Iraque.

“Logo após tomar posse, anunciei nossa nova estratégia para uma transição de responsabilidade aos iraquianos. E deixei claro que, em 31 de agosto de 2010, a missão de combate dos EUA no Iraque acabaria. É exatamente o que estamos fazendo - como prometido e no prazo”, afirmou Obama, em discurso para os Veteranos Deficientes da América.

A Casa Branca quer deixar apenas 50 mil soldados - dos 144 mil de quando Obama assumiu e 88 mil desde maio - no país a partir de setembro. Eles terão papel de assessorar e treinar forças iraquianas, proteger pessoal civil americano e planejar operações de contraterrorismo.

Obama confirmou que mais de 90 mil soldados voltarão para os EUA até o final do mês. O presidente disse ainda que os esforços estão mudando, e que a partir de agora os combatentes gradativamente darão lugar aos diplomatas, até que no final do ano que vem as forças de segurança do próprio país estejam treinadas para assumir totalmente o controle.

O nome da operação passa de Iraqi Freedom (Liberdade no Iraque) para New Dawn (Novo Amanhecer). Para completar a transição, os EUA instalarão um novo embaixador e um novo general em Bagdá. Os 50 mil restantes saem ao fim de 2011.

Os problemas enfrentados pelo país, no entanto, parecem longe de acabar. O índice da violência no Iraque voltou a subir no mês de julho, no qual morreram 535 pessoas, muito acima dos 284 mortos em junho passado, informaram ontem fontes do ministério iraquiano do Interior. O mês foi o mais letal no país nos últimos dois anos.

O que Obama não mencionou foram os desafios a seus planos. Um deles é a própria situação da segurança, que se está em seus níveis mais baixos desde o auge do derramamento de sangue entre 2005 e 2007, continua longe de ser considerada “normal”.

Outro problema é que, quase cinco meses após eleições gerais, o Iraque ainda não formou um governo.

Por isso, e escaldada pelo fiasco do governo anterior, que disse ter “completado a missão” pouco após tomar Bagdá em 2003, esta Casa Branca teve o cuidado de não declarar vitória no Iraque. Além disso, o ambiente é pouco propício a tais declarações, pouco após um vazamento de documentos secretos revelar fracassos no Afeganistão e de o general americano em Cabul ser trocado.

“Continuaremos a enfrentar enormes desafios no Afeganistão. Mas estamos avançando e temos objetivos alcançáveis”, disse Obama.

Também prometeu acelerar benefícios e melhorar atendimento médico aos veteranos das guerras. Os EUA têm quase 2 milhões de veteranos que serviram no Iraque e Afeganistão, o maior número desde a Guerra do Vietnã.

Comentários

Comentários