Regional

Pedra em canteiro gera discórdia

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

Itapuí – Pela segunda vez nesta semana, a prefeitura de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) é alvo de críticas por conta de problemas relacionados ao meio ambiente. Desta vez, o Frigorífico Itabom procurou o Jornal da Cidade para reclamar que a prefeitura teria despejado piçarras (pedras) sobre área onde a empresa desenvolve há cinco anos, em parceria com a Reval, o projeto “Caminho Vivo”, com plantio de árvores, flores, gramados e arbustos. A prefeitura diz que o local pertence ao município e que o material será utilizado na construção de portal na entrada da cidade.

Por meio da assessoria de imprensa, a Itabom alega que não foi comunicada sobre a colocação das piçarras às margens da vicinal que dá acesso a Itapuí, do lado esquerdo para quem vem da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), a Bauru-Jaú.

“As duas empresas (Itabom e Reval) vêm cuidando desse projeto já há algum tempo e a prefeitura simplesmente foi lá com um caminhão de piçarra e jogou todo esse produto em cima do nosso canteiro. “Não nos avisaram antes, a gente não teve nem tempo de ir lá e retirar algumas plantas. A gente perdeu muita coisa”, conta.

No local, a empresa conta que existiam diversas flores e árvores, algumas plantadas há quase cinco anos com o objetivo de arborizar a entrada da cidade. “Além da responsabilidade, há também um sentimento de carinho e zelo por parte de todos os colaboradores do departamento de paisagismo da Itabom, que dispensavam tempo todos os dias cuidando do projeto”, ressalta.

De acordo com a Itabom, o fato teria ocorrido há cerca de duas semanas. Posteriormente, a prefeitura teria informado que o material foi colocado no local para que seja dado início à construção de um portal na entrada do município. “Nem a gente, nem a Reval e nem ninguém é contra a construção do portal”, diz.

“O que acontece é que nós já tínhamos feito o projeto, é uma iniciativa privada em prol do meio ambiente. Em nenhum momento eles tinham um planejamento desse portal, em nenhum momento eles passaram para a gente. Além da falta de responsabilidade, foi muita falta de consideração com as empresas”.

O presidente do frigorífico, Pedro Poli, revela que, quando as empresas assumiram o projeto, a área às margens da rodovia não recebia nenhum cuidado por parte do município. “Ali era um lixo só. Hoje, a gente recolhe o lixo que as pessoas jogam na estrada”, relata.

Desde que as ações tiveram início, segundo ele, passaram a ser plantadas no local espécies como primaveras, patas de vaca e flamboyants, que foram destruídas com o despejo das piçarras pela prefeitura. “Eu acho que é uma afronta muito grande, um absurdo”, avalia. “Se eles tivessem dito antes, eu tentaria recuperar algumas plantas, recuperar o gramado, porque nós já estamos há quase cinco anos cuidando disso”.

Poli questiona a construção do portal próximo na área onde é desenvolvido o projeto e afirma que o Executivo poderia ter procurado as duas empresas para conversar sobre a viabilidade de destinação de recursos para a obra. “Tem que se ter criatividade acima de tudo, e competência. E é o que falta muito para essa prefeitura”, critica. “Esse é o respeito que ele tem com as duas maiores empresas da cidade, que estão colaborando com a cidade”.

Perguntado sobre os prejuízos que a Itabom teve com a ação da administração, o presidente da empresa desabafa. “Com a natureza, não dá para mensurar. Apesar do trabalho, dedicação, combustível, mão de obra, independente do valor financeiro, existe um outro valor que é o ético, o moral, o de prezar pelo respeito. E esse valor de respeito, ele (prefeito) não tem nenhum”.

A Reval foi procurada pela reportagem, mas até a conclusão desta edição não havia retornado a ligação telefônica.

“Mal-entendido”

Por meio de nota encaminhada pela assessoria de imprensa, o prefeito de Itapuí, José Gilberto Saggioro (PPS), chama o fato de “mal-entendido” e diz que a prefeitura protocolou comunicado oficial junto a Itabom e Reval informando sobre a obra que vai ser iniciada em breve no local, e na qual será utilizada a piçarra.

“A área em questão – onde de maneira sadia, exemplar e competente as duas empresas cuidam como área de proteção ambiental, com plantio de plantas e árvores – pertence ao município; repito, pertence à prefeitura e não às empresas. Portanto, a queixa não teria sentido jurídico, se fosse levada ‘a ferro e a fogo’”, afirma.

De acordo com a prefeitura, as piçarras foram colocadas na grama, à beira do final da estrada, de maneira a não prejudicar o trânsito na via de acesso à cidade. “Ela não afetará em nada a área cuidada pelas empresas. A piçarra não foi colocada nas plantações de flores”, declara.

Ainda de acordo com a prefeitura, as obras não irão resultar em corte de árvores, plantas ou flores, afetando apenas trecho pequeno de grama, onde será feito um desvio para duplicação da entrada da cidade e construção do novo portal.

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Projeto Caminho Vivo

O projeto Caminho Vivo é desenvolvido desde 2006 pela Itabom, juntamente com a Reval, com o objetivo de valorizar o meio ambiente e colocar em prática ações que representam responsabilidade sócio ambiental.

A iniciativa consiste em arborizar a entrada da cidade não só com árvores, mas mudas nativas e plantas ornamentais, em um espaço de aproximadamente dois quilômetros às margens da vicinal Alberto Massom.

As mudas utilizadas no plantio foram doadas pelo viveiro da Organização Não Governamental (ONG) Bica de Pedra, que é mantido com apoio das empresas e gera em torno de 14 mil mudas por ano.

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