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Sincronia no atendimento salva vida

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A dona de casa Renata França Oliveira, 50 anos, moradora do Jardim Tangarás, em Bauru, não vai esquecer a tarde dúltima sexta-feira: ela sofreu um infarto e uma hora e meia depois já estava consciente, conversando, se recuperando de um cateterismo feito para desobstruir uma artéria que, se o atendimento médico não tivesse sido feito rapidamente, poderia levá-la à morte. Mas, num caso raro na rede pública de saúde, todas as etapas do atendimento foram rápidas e eficazes.

A começar pela ligação feita ao Serviço de Atendimento Médico de Urgência e Emergência (Samu) pedindo socorro, às 15h30. Ao ser informado dos sintomas de Renata, o médico regulador do órgão logo diagnosticou que ela estava infartando e, imediatamente, designou uma equipe de suporte avançado, composta por médico e enfermeiro, para socorrer a mulher.

Em minutos, a equipe, com o médico José Eduardo Passos, integrante do Samu, e que também é consultor da coordenação geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde, chegou à casa da família. “No local a paciente foi estabilizada e a encaminhamos ao Pronto-Socorro Central, onde chegou com diagnóstico confirmado de infarto. E por isso – e como o Hospital de Base estava com equipe disponível na hemodinâmica -, entrou direto para fazer o cateterismo. Às 17h o cateterismo já havia sido feito e ela estava consciente”, relata Passos.

Renan França de Oliveira Santos, filho de Renata, telefonou logo na primeira hora que sua mãe sentia os sintomas do infarto, o que é primordial para salvar o paciente e para que não fique com sequelas, como insuficiência cardíaca, explica Passos. “A primeira hora é muito importante para o socorro de quem está infartando, tanto para salvá-lo quanto para que não fique com sequelas. É a chamada janela terapêutica. Se demorasse horas para ser socorrida - muitas vezes o paciente passa dias com dor para depois buscar atendimento – já não haveria esta garantia porque células do coração poderiam “morrer’”, explica.

E a partir daí, tudo deu certo: o Samu tinha viatura e equipe disponível para fazer o socorro; a equipe confirmou o diagnóstico de infarto e o informou ao Pronto-Socorro Central, que encaminhou a paciente para o Hospital de Base, que apesar dos problemas administrativos que enfrenta, tinha equipe disponível para fazer o cateterismo. Uma exceção no Sistema Único de Saúde (SUS), quando deveria ser regra.

“Caso assim tem de ser exemplo no SUS”, diz médico do Samu

“Casos de atendimento médico como o de Renata França Oliveira, de rapidez e eficiência, têm de ser exemplos no SUS (Sistema Único de Saúde)”, afirma o médico José Eduardo Passos, que atendeu a paciente em sua casa enquanto funcionário do Samu e também é consultor da coordenação geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde. E não se trata apenas de forma de expressão.

Feliz com todo o atendimento, que envolveu o próprio Samu, o Pronto-Socorro Central e o Hospital de Base, e com resultado, que permitiu que a paciente estivesse já em condições de conversar duas horas após o início do processo, ele afirma que utilizará este caso para discutir com os órgãos responsáveis por urgência e emergência (Samu, Pronto-Socorro, hospital) formas de ampliar a agilidade e a eficácia dos atendimentos médicos de urgência e emergência.

“Precisamos que casos assim não sejam exceção, mas regra”, afirmou. “É o atendimento ideal, de qualidade e rápido”, completa. O médico lembra que infarto e AVC são as doenças que mais matam. “Se conseguirmos atendimento assim para casos de infarto e AVC e traumas (acidentes), reduziremos bastante as mortes”, analisa. “Estou muito feliz e agradeço toda a equipe do Pronto-Socorro e do Hospital de Base”, finaliza.

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