RH & Tendências

Mesmo sem aumento, salário pode ‘valer mais’

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Não são raras as vezes em que escutamos alguém (ou nós mesmos) reclamar que falta salário e ‘sobra’ mês após se saldar os compromissos financeiros. Também, pudera, a maioria dos brasileiros tem dificuldade em equilibrar a balança entre ganhos e dívidas.

É o que mostra um recente estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, três em cada quatro famílias brasileiras encontram dificuldades em terminar o mês com as finanças em azul e não conseguem saldar todas as contas no dia do vencimento.

Pare evitar o temido nome sujo no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) ou simplesmente equilibrar o saldo, só há uma solução, recomendam economistas ou pessoas que conseguiram virar esse jogo. O segredo para esticar o salário, mesmo sem o chefe liberar o sonhado aumento, está na disciplina, responsável não apenas por atenuar o desespero das altas faturas e grana curta, mas também por garantir tranquilidade - sonhada até por gente que ganha muito, mas gasta mais ainda.

Para o economista Fernando Pinho, acima de tudo, o bom senso deve ser levado em consideração na hora em que se abre o contracheque. “As pessoas não tomam cuidados na hora de dimensionar o endividamento, que cresce pela falta de critério”, atribui ele, ao notar que muita gente confunde salário bruto com a renda líquida.

O equilíbrio financeiro, seja familiar ou pessoal, recomenda o economista, tem como primeiro passo a anotação integral das despesas. Por mais insignificantes que possam parecer, faça um teste e some tudo o que gastou de combustível, por exemplo, durante uns seis meses, considerando, principalmente, abastecimentos curtos, apenas para não ficar com o tanque na reserva dentro da cidade.

“A melhor dica é listar todos os gastos. Antes de tudo, a pessoa tem que estar certificada do valor líquido disponível e do quanto será deduzido para o primordial à família na cesta de consumo da casa”, acentua Pinho.

Caso haja dificuldades em elencar prioridades dentro da família, com cada um pendendo para um lado, o melhor a fazer, aconselha o economista, é deixar com que a pessoa que traz a renda, ou a maior parte dela, aponte o caminho. “Assim, o provedor da casa é quem define onde se gasta”, acrescenta. “A maior questão é a disciplina, independentemente de quanto a pessoa ganhe por mês”, insiste o economista.

Outra dica de Pinho é criar ‘gordura’ financeira. “A regra é guardar ao menos 10% da renda todo mês”, recomenda.

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Planejar é a lei

Além de ser um porto seguro para a possibilidade de tempos difíceis, guardar as sobras após saldadas as contas e garantidos todos os itens de real necessidade da casa e família pode resultar em novas fontes de renda.

Quem seguiu essa receita começa a colher dividendos da organização financeira. Um exemplo é o casal Jhonathan e Fernanda Biachi. Há três meses, apostam num negócio próprio, mesmo ele sendo advogado e ela, biomédica.

Fernanda é quem cuida da rotisserie que abriram, enquanto Jhonathan segue na área do direito. Porém, o casal é responsável por todo o planejamento do negócio e vislumbra sua ampliação, por meio da abertura de franquia.

Mas nem sempre foi assim, lembram. “Usávamos o dinheiro e não guardávamos. Começamos a nos organizar de uns três anos para cá”, recorda, estimando que, na época, a renda do casal era de, aproximadamente, R$ 3 mil.

“Não tínhamos controle nenhum”, admite Fernanda. “Agora lançamos tudo o que gastamos em uma planilha”, compara. “E isso não significa que falte alguma coisa. Pelo contrário, conseguimos comprar tudo o que precisamos. Apenas não gastamos mais do que ganhamos”, pondera.

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Ricos instantâneos são os mais propensos a ‘despencar’

A ordem para guardar sempre vale para todos os status salariais, já que quanto mais alto o ganho maior o tombo de quem não fica de olho nas despesas, lembra o economista Fernando Pinho. “Há pessoas que ganham muito, mas sempre estão enroladas. Alguns jogadores de futebol famosos são um grande exemplo”, ilustra.

Ele observa que os tropeços são bastante comuns, principalmente entre os chamados “novos ricos”, geralmente pessoas que migram instantaneamente das classes C e D para fatias mais privilegiadas. “Com essa migração, quem não é disciplinado encontra problemas maiores que a renda, mesmo com o salto de categoria”, analisa. “Agora, quem sempre foi disciplinado está mais treinado, inclusive, para mudar de classe social”, pondera.

Outro fator de preocupação levantado pelo economista é quanto ao envelhecimento com segurança financeira. Segundo ele, o brasileiro está descuidado quanto a garantir fundos para uma terceira idade tranquila. “Com a expectativa de vida maior, a curva demográfica mudando, as pessoas não estão preparando para o acréscimo de vida, daí alguns problemas vividos pelos mais velhos já na atualidade”, relaciona.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pessoas com mais de 60 anos correspondem a cerca de 10,5% da população. Essa fatia cresceu mais de 47% em uma década.

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