Pederneiras - Um acidente próximo ao Assentamento do Horto Aimorés gerou polêmica na manhã de ontem. A vítima, Carlos Silva da Cunha, 28 anos, foi encontrada morta no início da manhã, por volta das 7h30, caída de bruços ao lado de uma estrada rural em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), próximo ao assentamento. Aparentemente, o jovem não apresentava lesões e não havia marcas de sangue pelo local. Ele estava descalço, vestia uma bermuda e camiseta.
Para a Polícia Militar (PM) de Pederneiras, o rapaz teria sido vítima de atropelamento por volta das 21h de anteontem. Cunha era surdo-mudo de nascença e fazia tratamento no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, em Bauru.
Um adolescente de 16 anos é apontado de ter causado o atropelamento. Ele reside a 300 metros do local do acidente e confirmou ter atropelado Cunha enquanto trafegava com uma moto CG Titan, com placas de Itupeva (SP), sem documentação e com os faróis quebrados. A vítima vinha em sentido contrário conduzindo uma bicicleta e teria se chocado de frente com a moto. De acordo com o relato do adolescente, não havia nenhum tipo de iluminação no local, e, por esse motivo, ele não teria notado a bicicleta.
Ao atropelar o homem de 28 anos, o condutor da moto afirma que parou para prestar socorro, mas disse que, ao se aproximar de Cunha - que aparentava estar embriagado - foi quase agredido. A vítima é surda-muda, fato que também teria atrapalhado a comunicação com o adolescente.
O acusado pelo acidente diz que não constatou nenhum tipo de lesão ao levantar Cunha do chão e que ele estaria consciente no momento da colisão. O adolescente teria também se colocado à disposição para prestar auxílio a Cunha, que teria negado a ajuda, agindo agressivamente.
Com o adolescente estaria também um rapaz chamado Rodrigo (a polícia não soube informar o nome completo do rapaz), na garupa. Ele estaria “pegando uma carona” com o amigo. Conforme afirma o adolescente, ele e Rodrigo teriam ajudado a vítima a se levantar e a deixou sentada a alguns metros de distância do meio da estrada, para evitar outro acidente.
Ao amanhecer de ontem, o adolescente relatou à PM que, ao sair para trabalhar, passou pelo local do acidente e se deparou com o corpo de Cunha caído no chão. Em princípio, pensou de Cunha estaria dormindo, mas, logo após, verificar que a vítima estava morta acionou a polícia.
No local do acidente, a polícia isolou uma parte da estrada em que foram encontrados cacos de vidros, provenientes do farol da motocicleta envolvida no atropelamento. Alguns metros dali foram localizadas, no meio da pista de terra, uma mochila pertencente à vítima e um par de chinelos.
A família de Cunha, que reside há três anos no Assentamento Horto Aimorés, estava inconformada com a morte do rapaz.
Segundo a mãe da vítima, Aunice Aureliano da Cunha, 48 anos, o filho teria saído cedo, no domingo, para trabalhar na capinação. À noite, a mãe sentiu falta do filho e só, na segunda-feira, foi informada de que ele estava morto. “Ele era um rapaz bom para mim, meu único filho homem. Se pudesse, pediria a Deus sua vida de volta”, lamentou.
Fabiana Ana da Cunha, disse que não acredita que o irmão tenha sido atropelado. “Eu acredito que ele não tenha sido atropelado, mas sim, agredido. Ele pode ter entrado em luta corporal. Meu irmão é surdo-mudo, indefeso, a estrada estava escura, sem ninguém. Um lugar propício para que isso acontecesse. A mochila que estava com ele também estava vazia, é estranho”, suspeita a irmã.
A polícia informou que o corpo não apresentava ferimentos aparentes. Se realmente foi atropelado, Cunha pode ter sofrido uma hemorragia interna com o choque, já que teria caído da bicicleta de barriga sob o solo.
O delegado Eduardo Herrera disse que se for confirmado o atropelamento, a morte poderá ser registrada como homicídio culposo, envolvendo ato infracional.
“Houve omissão de socorro à vítima. No momento do atropelamento, o condutor da motocicleta teria que ter comunicado à polícia o acidente. O adolescente também não tem habilitação para dirigir, o que agrava a situação”, informou. Ele disse que vai intimar todos os envolvidos para serem ouvidos no inquérito policial.
A Polícia Científica esteve no local para fazer perícia técnica e levantar informações que irão auxiliar a investigação. O corpo de Cunha foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) de Bauru e passou por avaliação médica para apurar as causas da morte do jovem.