No Jornal da Cidade do dia 13 do corrente, uma “menina de rua” foi entrevistada. Essa menor, de 13 anos, deveria estar trabalhando e estudando. Entretanto, está num caminho desolador. Não é fácil definir quem são os meninos de rua, porque quase todos eles têm uma casa para, à noite, se abrigarem. Muitos têm até mesmo uma família; outros têm alguém como referência familiar. Todavia, todos têm uma coisa em comum: a pobreza. Os meninos e meninas de rua são crianças aquecidas pela revolta do desajustamento econômico e social do ambiente em que vivem.
A criança mora numa favela ou em qualquer bairro da periferia; sua casa e ali não há nada para fazer: não tem um livro para ler ou para ver as figuras, não tem um animal para tratar, não tem um quintal para varrer e para brincar, não tem uma árvore para subir, não tem nada, nem mesmo um armário, na cozinha, para abrir e procurar alimentos. Então, o que fazer? Lá fora, na rua, um sol ardente como o amor que ela desconhece, está a sua espera. E aí, livre como um pássaro, ela encontra outros companheiros de infortúnio e juntos partem para a degradação humana. Com isso, os jornais, a televisão, o povo, todos têm muito o que falar sobre a violência, as drogas e sobre as crianças de rua. Ultimamente, com a conscientização ecológica, as pessoas passaram a defender o meio ambiente e a preservar a natureza. Até parece que se tornaram mais espiritualizadas. Mas, o mais importante para salvar o nosso planeta é a despoluição humana; é o resgate da dignidade do homem que está sendo devastada pela fome, pelas doenças e pela desmoralização.
Não adianta simplesmente acudir a criança da rua, isso é o mesmo que eliminar as formigas do jardim sem antes procurar onde está o formigueiro. O problema da criança brasileira que perambula pelas ruas, está precisando de um bom trabalho: um trabalho digno e abnegado, partindo do governo e das diversas autoridades na reedificação duma sociedade excluída. De que vale a obrigatoriedade do ensino às crianças, se nem todas têm meios para frequentar uma escola? Pois, grande parte delas tem vida volante e estão sempre recomeçando o inacabado.
Portanto, melhor seria se essas crianças desocupadas, juntamente com os pais, tivessem um trabalho onde, unidas, pudessem usar as mãos, usar a cabeça e sentir a esperança de vencer como gente. O assunto “criança”, embora tratado como amor, precisa, na realidade, de uma atenção mais acelerada pelos que estão com as rédeas nas mãos.
Ercilia Machado P. Martins