A partir do dia 18, quando vence o contrato da CPFL Energia com a Caixa Econômica Federal (CEF), as contas de energia elétrica não poderão ser mais pagas em casas lotéricas. Em Bauru, a operação deverá ser efetuada em 58 estabelecimentos comerciais credenciados e identificados pela marca “CPFL Total”, entre eles farmácias, padarias e mercados.
Embora o número de pontos seja o dobro do total de lotéricas até então autorizadas a receber contas de energia, já há consumidores descontentes com a mudança. Os proprietários dos correspondentes também reclamam que, com a mudança, certamente deverão perder clientes. Mas, segundo a CPFL, a medida irá facilitar a vida do usuário.
As contas emitidas a partir de agosto trarão o endereço de três comércios credenciados que sejam próximos ao imóvel do consumidor, que poderá procurar outros endereços ou ainda obter a lista completa de locais para o pagamento no site da concessionária (www.cpfl.com.br). As lotéricas receberão as contas até 17 de agosto, mas os outros modos de pagamento, como bancos, débito automático e Internet, continuam funcionando normalmente.
Além da quitação da fatura de energia elétrica, esses pontos também oferecerão outros serviços como a emissão de segunda via da conta, pedido de religação e atualização cadastral e recebimentos de contas de telefone e boletos bancários. Para a empresa, a indicação dos endereços na conta, aliada a uma maior quantidade de pontos de serviços, agilizará o pagamento das contas.
“A CPFL estará muito mais próxima do cliente. Ele poderá pagar na rede todas as contas que são pagas em banco, além de ter acesso a outros serviços da CPFL. Antes, eles tinham à disposição apenas 25 casas lotéricas e, agora, contam com 58 pontos credenciados”, explica Marina Dutra de Oliveira Silveira, gerente comercial da CPFL.
Moradora da Bela Vista, a dona de casa Marta Machado, 43 anos, é uma das que pretende sugerir a ampliação da rede à CPFL. Informada sobre as opções de estabelecimentos em que poderá pagar sua conta de energia, ela descobriu que nenhum deles está localizado em seu bairro.
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Conseqüências negativas
Para a CEF, a decisão tomada pela CPFL terá conseqüências negativas para os consumidores, uma vez que o banco, através dos correspondentes, é responsável por arrecadar cerca de 50% do volume total das cobranças efetuadas pela concessionária. Segundo o Sindicato das Casas Lotéricas, Bingos, Jogos Eletrônicos, Locadoras e Empresas Comissionárias e Consignatárias do Estado de São Paulo (Sincoesp), com a interrupção do contrato com a Caixa, a tarifa a ser paga pela CPFL ao estabelecimento prestador do serviço será reduzida de R$ 0,38 para R$ 0,20. A gerente comercial da concessionária esclarece, no entanto, que a redução de custos operacionais será revertida em investimentos para melhorar o atendimento ao usuário.
“Por causa de poucos centavos, a CPFL rompeu o contrato com a Caixa. E quem vai ser prejudicados será o consumidor. Essa rede alternativa não recebe todas as contas e não faz todos os serviços das casas lotéricas, então o usuário não vai conseguir concluir todas as suas operações em um único local, como estava acostumado a fazer”, considera Sueli Falcão, diretora de relacionamento e desenvolvimento do Sincoesp.
Além do prejuízo para o consumidor, ela aponta que os donos das lotéricas também serão onerados, já que há a possibilidade de os consumidores deixarem de pagar outras contas nesses correspondentes por não poderem mais quitar a fatura de energia elétrica.