Tribuna do Leitor

PRECONCEITO OU DITADURA?


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Vivemos numa democracia e isso traz consigo uma série de implicações - dentre elas, graças a Deus, está a de não vivermos uma ditadura. Pelo menos é o que se supõe, por vivermos num Estado Democrático de Direito. A liberdade de expressão, do livre-pensar, da confissão religiosa ou cor partidária é parte do tesouro da liberdade geral que gozamos. Quando recentemente nossos atuais governantes tentaram criar mecanismos de controle da imprensa, muitas vozes se levantaram contra. É óbvio isso. Por mais problemática que seja a imprensa, por mais tendenciosa que possa ser, é preferível que ela exerça seu papel com liberdade do que tê-la sob o cabresto dos governantes. E assim crescemos no exercício da democracia.

Ainda existem setores da sociedade que desconhecem o fato de que só existe democracia quando há pluralidade de idéias, e quando, de forma respeitosa, tais idéias são colocadas a debate, com transparência. O debate, aliás, é aspecto claro de um regime livre, pois cada um pode livremente expor suas idéias e saber ouvir o que o outro pensa, mesmo que haja discordância. E não precisa, necessariamente, que haja consenso posterior. O que vemos, na prática, é que certos grupos não conseguem assimilar que possam existir pessoas que discordem de suas idéias e sejam transparentes nesse posicionamento. E não raro partem para a intimidação.

Afinal, podemos ou não podemos discordar do que outra pessoa pensa ou crê? Se todos forem obrigados a seguir os ditames de um único grupo, não há democracia. Um vereador não pode pensar diferente? Não tem ele o direito de ter seu posicionamento particular, de propor mudanças e emendas?

Que democracia é essa em que pensar diferente é chamado discriminação, e onde o constrangimento e pressões rasteiras são usados para impor a opinião de apenas uma das partes? Devemos lembrar que numa democracia as grandes questões são decididas através do voto, através da representatividade popular num parlamento. Por mais de 20 anos o Brasil experimentou um regime de exceção em que o parlamento foi apenas um fantoche. Se isso ocorre, todo o povo fica à mercê e sofre as conseqüências. E não queremos que isso volte a ocorrer.

Bem reflete a carta do apóstolo Paulo aos Romanos, capítulo 1, em que alude àqueles que detem a verdade pela injustiça, pois mudam a verdade em mentira. É necessários que as pessoas de bem que prezam a liberdade que hoje possuem estejam atentas – e digam não a todo tipo de ditadura, a todo tipo de cerceamento da liberdade de pensamento. Rejeitem toda manipulação que, sob pretexto de defender direitos, impõe, à força, a posição de grupos que não são a maioria. E sabemos, a história mostra, quando o oprimido consegue dar a volta por cima e passa a deter o poder, não raro se torna mais déspota que aquele que o oprimia.

Quando se subtrai a liberdade de expressão, de pensar diferente, de crer diferente, a isso chamamos ditadura. E meu alerta está aqui: o risco de caminharmos silenciosamente, pelos bastidores, para uma ditadura, na qual apenas um grupo terá a liberdade de se expressar, e onde todos os demais serão obrigados a baixar a cabeça sob o risco de represálias. Isso é o que vemos em regimes totalitários.

E isso não queremos em Bauru, nem no Brasil, nem em qualquer outra parte do mundo.

Edson Valentim de Freitas Filho - pastor da Igreja Batista Bereana e presidente do Conselho de Pastores Evangélicos

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