Bauru registrou ontem a madrugada mais fria do ano. Às 3h25, os termômetros marcavam 6,3 graus. Mas a sensação era de muito mais frio: zero grau. A máxima, ontem, não chegou aos 21 graus. Às 15h35, quando foi resgistrada a temperatura mais alta do dia, os termômetros marcaram 20,9 graus.
A meteorologista Zildene Pedrosa, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp-Bauru, lembra que o frio intenso é consequência de uma massa de ar que chegou logo após a última frente fria, associada a circulação de um sistema de alta pressão que está atuando em todo o Estado de São Paulo.
Sem prejuízos
Apesar do forte frio, a zona rural de Bauru não registrou prejuízos, segundo o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde. “Geralmente, quando faz frio intenso e a sensação térmica chega a zero grau, o setor de horticultura sofre. Mas desta vez não tivemos grandes perdas”, afirma.
Quando a geada atinge as hortaliças, o preço desses alimentos pode aumentar em até 100%. “Esse aumento acontece de acordo com a perda sofrida”.
A meteorologista Zildene Pedrosa afirma que pode ter ocorrido focos de geada em Ourinhos e Presidente Prudente, mas próximo a Bauru não houve registros do fenômeno. “Geralmente, a geada acontece em áreas mais descampadas, quando há queda brusca de temperatura. Se a temperatura for bem baixa e a sensação térmica chegar a zero grau, já é suficiente para acontecer a geada, mas não houve nenhum registro próximo a Bauru”.
O engenheiro agrônomo de uma produtora e distribuidora de verduras de Bauru Renato Sato, afirma que o frio em nada influenciou na produção de hortaliças. “Já aconteceu de afetar, mas dessa vez não houve perdas”, afirmou o produtor.
Passageiro
Segundo Zildene Pedrosa, a baixa temperatura não deve passar de amanhã. A massa de ar frio está perdendo força e começa a se dissipar sentido oeste do Estado de SP.
“Na quarta-feira, as temperaturas já começam a subir e na quinta-feira a mínima sobe três graus. Isso é comum para o inverno, onde frentes frias passam pelo País seguidas de massas de ar frio, causando essas temperaturas mais baixas”, explicou.
Com base em informações colhidas junto ao site do IPMet, é possível entender um pouco do que acontece no inverno. Especificamente na Região Sudeste do Brasil, o inverno é considerado uma estação seca, caracterizada pelos baixos índices de precipitação e de umidade relativa do ar, além de baixas temperaturas.
As condições meteorológicas normais são favoráveis a dias com céu ensolarado. Os nevoeiros e a névoa úmida costumam cobrir os carros nas madrugadas geladas e também são muito freqüentes no início da manhã, principalmente nas regiões de planalto, serra e vales.
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‘Fazia tempo que não sentia tanto frio’
O motorista de ônibus Napoleão Ferreira, que trabalha há 12 anos na linha noturna da Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) e que conduz ônibus circulares no horário das 23h40 às 5h30, relatou que ontem sentiu o frio mais intenso do que nos últimos anos.
“Fazia muitos anos que eu não sentia tanto frio como ontem (anteontem)“, afirmou. “Geralmente, dentro do ônibus é menos frio, mas ontem (anteontem) mesmo com as janelas fechadas estava frio“, relatou o motorista.
No inverno, Napoleão Ferreira tem suas “técnicas” para não passar frio ao volante. Uma delas, é reforçar os agasalhos. “Eu uso blusas quentes e às vezes até coloco mais um moletom embaixo da calça comum para ficar mais quente”, afirmou.
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Animais protegidos
Os animais do Zoológico Municipal de Bauru estão prevenidos contra o frio há 4 meses. De acordo com Luiz Pires, diretor do zoo, os animais começam a se adaptar às mudanças de temperatura antes mesmo da chegada do inverno. “Os mamíferos são os que mais sentem frio, então colocamos aquecimento na toca.
Os aquários também possuem aquecedores e o termostato fica ligado o tempo todo no frio. Essa mudança fica de 4 a 5 meses até a chegada da primavera”.