A segurança em Bauru é regular, mais da metade da população não foi vítima de violência nos últimos 12 meses, mas a maioria acha que a cidade precisa de mais policiais. É o que mostra pesquisa feita pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) câmpus local e cujo resultado foi apresentado durante a reunião de ontem do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro/Sul.
Dos 725 entrevistados distribuídos entre as sete regiões da cidade (leste, oeste, norte, noroeste, centro, sul e sudeste), 39% consideraram que a segurança é mediana; 34% consideraram que é boa ou ótima e 27% que é ruim ou péssima (veja quadro ao lado). Para melhorar, 66,72%% apontaram que a solução é mais policiais nas ruas e que eles devem atuar mais próximos da comunidade.
Em seguida, como solução para a segurança em Bauru, aparecem itens como melhores condições de trabalho e mais iluminação nas vias públicas. Intitulado “Segurança pública: um processo de comunicação entre sociedade e polícia”, o levantamento foi coordenado pela professora doutora em sociologia Célia Retz, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp.
As entrevistas nas ruas foram feitas por 15 alunos do curso de relações públicas da Faac. Na avaliação da pesquisadora, a polícia aparece, no estudo, como principal responsável por resolver o problema da violência porque as pessoas possuem uma visão equivocada e imediatista de quem faz a segurança pública.
“Na realidade, quem deveria atuar para melhorar a segurança da população, em todos os níveis, é a própria população, cuidando de seus vizinhos, se envolvendo nas questões de seu bairro. Mas isso não ocorre. A polícia é vista como a grande salvadora”, salienta.
Embora se sintam inseguros e não estejam completamente satisfeitos, um dado que chamou a atenção é o fato de 62,5% dos entrevistados não terem sofrido nenhum tipo de violência no último ano. Para Célia Retz, a influência da mídia na formação de opinião da população tem reflexo direto neste resultado, aparentemente, contraditório.
“Com exceção do norte e leste de Bauru, nas demais regiões a maioria das pessoas disse que nunca sofreu nenhum tipo de violência direta nesse período. Então, entendemos que existe mais uma sensação de insegurança generalizada, talvez por causa da divulgação da violência pela imprensa, do que propriamente uma situação de violência instalada”, analisa.
Assaltos
Os entrevistados das regiões norte e leste - que abrangem as regiões do Núcleo Mary Dota e da Pousada da Esperança - são os que mais se dizem vítimas da criminalidade, seguidos dos moradores da zona sul, que inclui Altos da Cidade, e zona noroeste, que compreende Bela Vista e Parque Jaraguá.
Em seguida, na ordem decrescente, estão a região sudeste, que contempla as regiões do Núcleo Geisel e Jardim Redentor, e a área central da cidade. A pesquisa coloca a região oeste, que envolve a Vila Falcão e Vila Independência, como a que tem menor incidência de violência.
No cômputo geral dos crimes que mais fizeram vítimas, os assaltos aparecem no topo da lista, com maior incidência nas zonas sul e noroeste de Bauru. Já a zona oeste, que abrange a Vila Independência e Falcão, foi indicada como a área de menor incidência de roubos.
Os furtos aparecem em segundo lugar no total de respostas obtidas e atingem em maior quantidade os moradores da área sudeste e, em menor escala, os da zona noroeste.
Ainda de acordo com a pesquisa, a maioria dos crimes é praticada por desconhecidos e acontece na rua (45%), seguida das residências (25%). O estudo também mostra que a presença da Polícia Militar (PM) faz a comunidade se sentir mais segura e ela é a primeira a ser acionada pelos entrevistados diante de qualquer ato de violência sofrido.
Os acidentes de trânsito, conforme diagnosticou o levantamento, acontecem, em sua grande maioria, nas zonas sul, norte e leste. A região sudeste é a área apontada como a que menos apresenta vítimas deste tipo de crime.
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Pesquisa visa orientar o
combate à criminalidade
A professora Célia Retz explicou que o estudo “Segurança pública: um processo de comunicação entre sociedade e polícia” atende a um pedido da própria Polícia Militar (PM) e é uma forma de viabilizar o contato da corporação com a opinião da população. Para o capitão Paulo Cesar Valentim, a pesquisa é importante na medida em que fornece subsídio para que a PM possa atuar de maneira mais eficaz no combate à criminalidade.
“Através do dados, podemos conhecer melhor nossos pontos fortes e onde precisamos melhorar”, frisa o capitão. “Os dados levantados ajudam a estabelecer planos estratégicos e é importante que venham de uma instituição que não seja a polícia. Vindo de uma universidade, as pessoas agregam mais credibilidade e imparcialidade aos resultados”, completa.
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Maioria diz não conhecer
base da PM de seu bairro
Bauru tem, espalhadas pela cidade, sete bases comunitárias da Polícia Militar. São elas: Centro, Sul, Oeste, Noroeste, Leste, Norte e Sudeste. São locais onde os moradores tanto podem solicitar policiamento ostensivo, quanto preventivo, assim como podem sugerir ações e cobrar soluções. Mas a consulta feita pela Unesp, em que 725 pessoas foram entrevistadas, revelou que cerca de 70% dos ouvidos não conhecem a base comunitária de seu bairro. Na região sul, menos de 10% dos moradores afirmaram conhecer a Base Sul, que fica na Praça Portugal.
Na outra ponta, são os moradores das regiões leste e norte que mais conhecem as bases de suas áreas. E também foram eles que mais responderam sim à pergunta se já participaram de alguma atividade na base policial. Coincidentemente, são as regiões da cidade em que os moradores disseram que mais foram vítimas de crimes.
Questionados sobre o que pode ser feito para melhorar a segurança, 66,72% dos 725 entrevistados no estudo , principalmente os moradores da zona sul, apontaram a necessidade de mais policiais em patrulhamento. Aproximadamente 11,5% reivindicaram melhores condições de trabalho e 5,13%, adequação na iluminação pública.
Apenas 2,3% deles citaram que a participação popular pode influenciar na melhoria da segurança e 2,65% não sugeriram nenhuma melhoria para os serviços da polícia. Combate ao tráfico, com 1,95% das citações, também foi uma das sugestões indicadas pelos dados da pesquisa.
A uma outra pergunta do estudo, “A presença da PM faz você sentir...”, mais da metade respondeu “mais seguro”. Porém, entre quem sofreu algum tipo de violência no último ano, apenas 60% informou que notificou a PM.