A polêmica sobre podas e cortes de árvores na cidade nos leva a uma reflexão: por que não faz parte das “preocupações ecológicas” a sobrevivência do ser humano como espécie a ser respeitada e preservada? Só se dão conta de nossa teimosa existência quando se trata de nos cobrar impostos e pedir votos.
É chocante a visão da quantidade de árvores inadequadas plantadas nas ruas de Bauru. A pior de todas são as árvores de grande porte plantadas no lado da rua em que estão postes e fiações.
A quadra onde moro fica às escuras porque uma da espécie chapéu-de-sol está colada ao poste, escondendo-o completamente. E pagamos taxa de iluminação. Seríamos multados se não pagássemos, mas quem nos deixa às escuras não sofre nenhuma penalidade.
Outro choque é o festival de obstáculos que as raízes criam nas calçadas, gerando tropeços, tombos e toda espécie de acidentes, principalmente com idosos, deficientes, gestantes e crianças.
A árvore campeã é a chapéu-de-sol. Além de imensa, destrói calçadas, causa entupimentos de bueiros e calhas com suas folhas e frutos. Não adianta reclamar, pedir autorização para o corte, temos que ouvir aquelas justificativas ecoburras que todos conhecem.
Se o morador providenciar uma poda, será multado. Mas o contribuinte-eleitor não tem direito de multar a secretaria e deve pagar as despesas com consertos de calçadas, encanamentos, limpezas de calhas quietinho.
E os danos causados pela presença de morcegos que infestam essas árvores, instalam-se em nossos telhados e deixam manchas nas paredes das casas, obrigando os moradores, quando podem, a pintá-las mais vezes?
Tenho uma árvore no jardim. Ela está infestada de cupins. Descobri da pior maneira: eles invadiram a casa, destruíram o piso de madeira e a estante, causando a perda de vários livros preciosos para nós. Mas não posso cortá-la. Caso o faça, serei multada. Devo pagar pelos prejuízos, estourar o orçamento sem reclamar.
E ouvi dizer que este país tem um regime democrático. Só nos resta o espaço realmente democrático que o Jornal da Cidade nos oferece e rezar para que um dia tenhamos vez.
Arlete Guimarães