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Ideia de felicidade impera na juventude

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Desde a antiguidade, o aniversário representa um rito de passagem. É um momento de avaliação do que foi feito em um ano. É o fim de um ciclo e o começo de outro. Para o professor e antropólogo Cláudio Bertolli Filho, o aniversário se aproxima muito da virada do ano, como data que instiga a reflexão.

Ele conta que realizou algumas pesquisas sobre o assunto e constatou que o envelhecer é algo extremamente complicado para as pessoas mais novas. Na opinião dele, isso tem a ver com o momento cultural.

“Eu tenho 54 anos. Pertenço a um outro momento cultural. Estou barrigudo, cabelo branco, pele horrível, mil outras coisas, mas isso não me angustia”, diz. “Agora, eu tenho visto o pessoal mais novo, inclusive alunos, homens ou mulheres, que estão entrando em depressão porque completaram 22 anos”, observa.

Segundo ele, houve uma mudança profunda no que foi denominado de pós-modernidade. Isso significa que fazer aniversário deixou de ser algo positivo e passou a ser encarado como um acontecimento negativo. “Porque cada ano que passa, mesmo eu sendo novo, estou rumando em direção àquilo que a pós-modernidade não gosta, que é a velhice, a doença, a decadência física. E muita gente está pirando quando chega aos 40. É um desespero”, afirma.

Felicidade

Bertolli revela que conheceu uma pessoa que tentou o suicídio quando chegou aos 40 anos. De acordo com ele, isso ocorre porque impera a noção de que só existe vida e felicidade quando se é jovem.

Para o antropólogo, o aniversário mostra que a pessoa está abandonando cada vez mais determinada faixa etária considerada positiva pela sociedade. Quando chega aos 60 anos, o problema é ainda maior porque passa a ser considerado oficialmente idoso.

O professor cita um caso emblemático, que mostra com clareza a preocupação em torno da velhice. Ele conta que uma de suas alunas, quando fez 21 anos, ganhou de presente da mãe um kit de cremes que tinha em sua composição a receita para retardar o envelhecimento. “Isso aos 21 anos!”, frisa Bertolli.

O psicólogo e terapeuta Ulisses Herrera Chaves reforça a análise de que o modo como o aniversário é encarado tem muito a ver com questões culturais. “Cada pessoa vai reagir de acordo com seu aprendizado e experiências.

Segundo ele, se existe uma certeza é a de que todos vão envelhecer. Isso se não morrer antes. A morte, por sinal, é outra certeza. Então, por que há tanta dificuldade em aceitar que os anos estão passando e está se aproximando da velhice e, consequentemente, da morte?

O culto às aparências pode ser uma explicação, segundo Ulisses. De acordo com o psicólogo, esse sentimento é mais forte nas mulheres também por questões culturais. “Historicamente, sabemos que há uma tendência dos homens gostarem de mulheres mais novas. Então, dizer a idade pode ser ruim.”

Mas a dificuldade de aceitação pode estar relacionada com a auto-estima, ou melhor, a baixa-estima. “Se a pessoa estiver bem com ela mesma, vai lidar bem com a idade avançada e suas limitações”, afirma.

Ele conta ter ouvido de um paciente uma observação que merece ser levada em consideração. O paciente dizia estar feliz com as dores que sentia, em função da idade avançada, porque era um sinal de que não havia morrido jovem. Pena daqueles que nem chegaram a senti-las.

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Na astrologia, aniversário é a renovação dos ciclos

O tempo não volta, mas todos os anos as pessoas têm a chance de viver de novo as mesmas situações do ano anterior. É a oportunidade de mudar e fazer diferente o que não ficou bom. Para a astrologia, cada aniversário é uma renovação de ciclo.

De acordo com a astróloga Josylene Sousa, muitas pessoas perdem a chance de consertar os erros porque não prestam a atenção no que estão vivendo e não se dão conta de que podem mudar todo o rumo da história e chegar ao próximo aniversário mais feliz e realizado.

Ela cita como exemplo um novo emprego. Às vezes, as pessoas trocam de emprego procurando um ambiente melhor, mas depois de um tempo percebem que nada mudou. As reclamações continuam as mesmas.

“Se a pessoa age da mesma forma e os problemas continuam é sinal de que algo está errado com ela”, afirma. Então, é hora de procurar fazer tudo ou quase tudo diferente.

Josylene diz que, de acordo com a astrologia, a pessoa nasce de novo a cada aniversário. A vida é uma constante renovação. “Quando uma

pessoa inicia um novo curso, muda de cidade, muda de emprego, faz novas amizades. Tudo isso é renovação e tem de ser aproveitado”, ensina.

Para aqueles que levam a astrologia a sério é bom ficar atento à revolução solar, que é o nome que se dá a um estudo anual que aponta quais áreas da vida estarão em evidência naquele ano.

Conhecer essas áreas é importante para a pessoa não perder tempo e energia “remando contra a maré”. Josylene explica que pode ocorrer de alguém estar preocupado com sua vida profissional em um determinado ano quando o estudo aponta que a preocupação maior naquele período tem de ser com a vida amorosa. “Aí a pessoa não vive bem nem um desses dois aspectos da vida. Reclama que nada está dando certo. É como se estivesse dando murro em ponta de faca”, alerta.

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