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Trânsito pede via alternativa e viadutos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Com mais de 200 mil veículos emplacados - sem contar aqueles vindos de cidades vizinhas e que circulam diariamente pela cidade, o trânsito de Bauru chegou a uma situação irreversível e que precisa ser solucionada. Saturada, a malha viária depende da criação de alternativas para o tráfego, para desafogar os grandes gargalos das vias mais carregadas, como é o caso das avenidas Castelo Branco e Comendador José da Silva Martha, por exemplo.

Associada a uma política de mobilidade urbana bem delineada, especialistas consultados pelo JC são unânimes em afirmar que o prolongamento de algumas vias, a construção de outras, assim como de viadutos, são fundamentais para melhorar a qualidade da movimentação de veículos e pedestres nas ruas da cidade. A avaliação, no entanto, é que a viabilização desta mudança ainda esbarra na falta de recursos e, muitas vezes, também na escassez de arrojo da administração pública.

Para o professor Archimedes Azevedo Raia Junior, coordenador do Núcleo de Estudos Sobre Trânsito da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), uma das ações mais urgentes é a transposição da avenida Cruzeiro do Sul, por meio da construção de um viaduto sobre a rodovia Marechal Rondon, além da conclusão da avenida Nações Norte e o prolongamento da avenida Nuno de Assis em seus dois extremos. “Essa obra poderia ser obtida junto à própria concessionária da Rondon, assim como a construção das pistas marginais da rodovia, que também são necessárias”, frisa.

Ainda nesta via, como complemento, o arquiteto da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Adelmo Bertussi, sugere a duplicação da rua de acesso ao Núcleo Mary Dota para dar maior vazão ao fluxo de veículos. Bertussi, assim como Raia, aponta ainda a necessidade da construção de um viaduto para ligar a rodovia Marechal Rondon à região do Bauru Shopping, próximo à Base de Policiamento Rodoviário, o que seria uma forma de diminuir o trânsito intenso da avenida Nações Unidas e sua marginal, na altura da quadra 34.

“De maneira geral, nós não podemos fazer escolhas para chegar em um determinado local, não temos muitas vias alternativas. Os projetos existem, mas há uma dificuldade em implantá-los pela falta de recursos”, considera o arquiteto da Seplan.

Ele destaca que dois projetos da prefeitura - a construção das avenidas Água Comprida e Água do Sobrado, que ainda permanecem no papel - também funcionariam como válvula de escape para duas das principais vias da cidade. A primeira delas permitiria a interligação das pistas desde a Nações Unidas, na baixada do Sambódromo, até a Rodrigues Alves, na altura próxima ao Horto Florestal. A segunda, já aprovada no Plano Diretor, serviria como opção para o tráfego da rua Bernardino de Campos e da avenida Castelo Branco, em direção a Piratininga.

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Rotatória requer ampliação urgente

O arquiteto Adelmo Bertussi lembra ainda que a ampliação do diâmetro da rotatória Primaz Chujiro Otake - para onde convergem cinco vias, sendo uma delas a avenida Castelo Branco - continua sendo uma das prioridades da administração e só não avança por conta do processo de desapropriação, que demanda recursos para ser concluído. “É uma das obras mais urgentes, porque o acúmulo de veículos é grande e deve aumentar ainda nos próximos anos. Mas é uma obra que não se conclui com menos de R$ 4 milhões, o que é um entrave”, revela o arquiteto.

O professor Archimedes Azevedo Raia Junior aponta ainda como principais soluções para disciplinar o trânsito de Bauru a reestruturação do acesso da rua das Flores e o término da duplicação da avenida Comendador José da Silva Martha, de forma que ela seja interligada à rodovia que dá acesso a Piratininga.

Embora a necessidade de inúmeras obras não possa ser desconsiderada, Raia explica que a administração municipal precisa atuar também no plano estratégico, criando uma política de mobilidade urbana consistente.

Ainda que o tema já esteja previsto no Plano Diretor (PD), o professor avalia que a cidade ainda não demonstrou explicitamente para onde os esforços e investimentos futuros irão se direcionar. “É preciso definir o papel do transporte coletivo, cicloviário e a pé, bem como a segurança no trânsito. E, mesmo não sendo obrigatório por lei, entendo ser fundamental estabelecer também o Plano Diretor de Transporte, pelo tamanho que a cidade alcançou. Mas é preciso que a administração pública seja mais dinâmica para dar conta disso.”

Neste documento, no ponto de vista do especialista, deveriam ser discutidas a retirada da malha férrea da área central da cidade (a exemplo do que ocorreu em Araraquara) e a criação de corredores exclusivos de ônibus articulados (com maior capacidade de transporte de passageiros) interligando as zonas Leste e Oeste, com a construção de dois terminais de integração para o transporte público, instalados nesses dois extremos.

“A partir dos terminais, a distribuição nas áreas periféricas seria feita com os ônibus comuns. Seria uma solução para racionalizar as linhas de ônibus, que hoje se sobrepõe em vários itinerários”, constata, salientando que, desta forma, as viagens se tornariam mais rápidas, o que estimularia parte das pessoas a deixar os carros em casa.

Mudanças de baixo custo

O professor Archimedes Azevedo Raia Junior, coordenador do Núcleo de Estudos Sobre Trânsito da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), explica que nem todas as mudanças para melhorar o trânsito de Bauru dependem de grandes investimentos.

Segundo ele, certas adaptações não ocorrem porque são consideradas impopulares, embora necessárias. É o caso, por exemplo, da proibição de estacionamento na avenida Nações Unidas e nas ruas Primeiro de Agosto, Azarias Leite, Rio Branco, Treze de Maio e Gérson França.

“São corredores importantes e a maioria deles tem baixa capacidade para dar vazão ao fluxo”, pontua.

Outra adequação que precisa ser considerada, segundo Raia, é a eliminação de permissão para conversão de veículos que trafegam pela Nações Unidas e Rodrigues Alves, assim como a implantação de semáforos dotados de sistema computadorizado do Centro de Bauru. “Trata-se de um controle de tráfego em área para otimizar simultaneamente todos os semáforos na região central. É um sistema um pouco caro mas, na medida em que a cidade cresce, não há como escapar disso”, analisa.

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