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Para cientista Kerbauy, só regra mais rigorosa pode

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

O fim do “jeitinho brasileiro”, da política tão difundida de querer levar vantagem em tudo, somente será possível quando as regras institucionais forem mais rigorosas e colocadas em prática. Essa é a opinião da cientista política Maria Tereza kerbauy.

Segundo ela, os adeptos do “jeitinho” passam por cima de normas para se beneficiar de alguma situação e, muitas vezes, ficam impunes. “Eu acho que tem a ver com a maneira como as regras institucionais estão organizadas no País. Muitas normas não são respeitadas para as pessoas atingirem seus objetivos e nada acontece”, afirma.

Para a cientista, o fim do “jeitinho” não tem a ver somente com a mudança de mentalidade, mas também com o fim de uma cultura organizacional, onde a desobediência produz melhor resultado do que se obedecesse as regras.

Kerbauy cita um exemplo bem caseiro para ilustrar sua opinião. Segundo ela, no trânsito de Bauru as pessoas estão preocupadas com elas mesmas, com a pressa delas, com questões particulares, e acham que estão certos ao infringir as regras e levar vantagem com isso, em detrimento do outro. “Então, como é que fica a preocupação com o coletivo? Se essa preocupação se efetivasse em gestos e ações o trânsito não seria tão violento”, pondera. “Isso desmonta qualquer pretensão de ser mais solidário”, aponta.

Segundo ela, se na prática a teoria é outra é por causa de uma série de questões. No caso do trânsito, por exemplo, os motivos podem ser a não existência de ruas adaptadas para um movimento intenso e falta de punição exemplar para quem não segue as regras. “Quantas pessoas não tiveram a carta cassada e continuam dirigindo”, questiona.

“Por isso eu digo que não tem só a ver com a disponibilidade das pessoas de mudar a concepção de mundo. Tem a ver também com a disponibilidade das normas e das regras institucionais mudarem”, explica.

Para Kerbauy, apesar da preocupação com o próximo, com a humanidade e com o meio ambiente, apontado pela pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), isso não significa que as pessoas estão deixando de usar o jeitinho brasileiro.

Para o filósofo Fausi dos Santos, o “jeitinho” é um vício, como a corrupção. Um vício que somente será curado quando houver um povo mais educado e menos desigualdade social. Segundo ele, o País está vivendo um crescimento econômico, mas o avanço não se repete nos índices de desenvolvimento humano.

“Ainda faltam serviços básicos. Enquanto essas questões não forem resolvidas e enquanto não houver uma maior igualdade de oportunidades, o individualismo vai continuar”, acredita. Citando o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, Fausi diz que o homem é bom e solidário por natureza, apenas precisa de uma sociedade menos egoísta e mais igualitária.

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