O comércio tem que abrir, que se danem os trabalhadores. Imagino que seja esse o sentimento que corre no sangue dos que, com espantoso fervor, defenderam a abertura do comércio aos domingos.
Quanta mobilidade, quanto interresse de alguns setores, mas o que é mais curioso é ver alguns parlamentares que pelos corredores do Legislativo se diziam a favor dos trabalhadores do comércio pular fora, pois é mais fácil evitar a fadiga a defenderem o tema, pois a força patrocinadora dos comerciantes e poderosos é aterrorizante, é pavorosa.
Fiquei surpreso quando ouvi o vereador dr. Segalla, pelo qual tenho muito respeito, pois é digno de assumir e representar o que defende, na sua justificativa ao votar contra o projeto de lei que visa defender o direito de descanso aos comerciários, dizer que para que alguém tenha lazer é necessário que outro trabalhe.
Sim, até concordo, mas quem disse que para que se tenha esse lazer tem que ser feito no comércio? Porque é que se tenta impor o consumo como fonte de descanso e satisfação às pessoas? Isso acaba por retirar o interesse de prefeitos em criar zonas de lazer e diversão na cidade, tais com praças, parques, teatro, projetos culturais, etc.
Há outro parlamentar em nossa cidade que é autor de projetos que criam dias de passeios, caminhadas de lazer e entretenimentos, mas a qual público se destina? A estes vereadores venho então propor que mude as sessões ordi-nárias do Legislativo para os domingos a fim de compartilharem do mesmo sentimento dos trabalhadores que neste dia labutam.
Parabenizo a iniciativa do vereador Roque, que tem nobreza e coragem para defender até o fim aquilo que acredita e que se propôs a fazer enquanto candidato em 2008, que era defender os anseios dos trabalhadores. E para aqueles que defendem os lojistas e patrões (possíveis financiadores de campanha), fica a frase: “Quem paga a banda escolhe a música”.
Fernando Silva Rocha