Funcionários e reeducandos da Penitenciária 2 (P2) de Bauru viveram um susto na tarde de ontem. Um grande incêndio, iniciado depois que um amontoado de mato seco pegou fogo, consumiu completamente um barracão de madeira do complexo, na área onde estão instaladas indústrias onde trabalham os detentos.
Além do imóvel, que estava desativado, foram queimados parte de quatro toneladas de material reciclável que estava armazenado próximo ao local e uma área verde de aproximadamente 500 metros quadrados. As chamas atingiram cerca de quatro metros de altura e demoraram mais de uma hora para serem confinadas. Apesar da grande quantidade de fumaça e fogo, ninguém ficou ferido.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a maior dificuldade para apagar completamente o fogo foi a necessidade de espera para a chegada de caminhões de apoio de água que pudessem reabastecer a viatura de combate a incêndio, já que a P2 não conta com hidrante para casos de emergência como o de ontem. “A demora para acabar com todos os focos de incêndio se deu justamente por conta da distância de onde este apoio veio, porque não havia como utilizar água de dentro da penitenciária”, relata o subtenente do Corpo de Bombeiros, Jeferson Zorzetto Lima.
O diretor do presídio, Wilson Elorza Junior, relata que o fogo teve início por volta das 14h30, quando presos que haviam acabado de roçar o terreno no entorno dos galpões industriais atearam fogo em um amontoado de mato seco. Com a baixa umidade relativa do ar registrada nos últimos dias, as chamas se propagaram rapidamente e atingiram o barracão abandonado.
“Era um barracão de 300 metros quadrados que já estava inutilizado há algum tempo, exatamente porque estava com a estrutura comprometida. Com o fogo, ele acabou ruindo definitivamente. E uma parte do material reciclável que estava perto, a maioria plástico, também foi consumida”, relata o diretor.
Acionado, o Corpo de Bombeiros teve como principal preocupação confinar o incêndio para evitar que galpões vizinhos fossem atingidos. Depois foi preciso esperar os caminhões de apoio de água do DAE, Emdurb, Semma e Secretaria de Obras.
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2o grande incêndio
Em menos de uma semana, este é o segundo incêndio de grandes proporções registrado em Bauru. Na última quinta-feira, um depósito de materiais plásticos recicláveis de mais de quatro mil metros quadrados, instalado no Distrito Industrial 1, foi completamente destruído pelas chamas.
No local, também funcionava uma pequena fábrica de mourões para cercas e dormentes ferroviários feitos com plástico injetado, que também foi tomada pelo fogo. A suspeita é que o incidente tenha sido originado também por um grupo que acendeu uma fogueira nos fundos da empresa.
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Risco era atingir fábrica de cintos
Ao todo, foram gastos quase 10 mil litros de água. “O fogo estava muito próximo de uma fábrica de cintos e havia o risco de ele se propagar e incendiar este outro imóvel. Mas providenciamos o isolamento e ficamos controlando o fogo até a chegada do apoio de água”, frisa o subtenente do Corpo de Bombeiros Jeferson Zorzetto.
Segundo alerta o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, Bauru está há 47 dias sem chuva e, nesta época de estiagem, o cuidado com incêndios deve ser redobrado. “É um perigo muito grande. Além do dano ambiental e para a saúde da população, há ainda o risco de prejuízo material que as pessoas não dimensionam muito bem quando colocam fogo em um terreno ou em um monte de lixo. Mas imóveis podem ser incendiados. Na P2, por exemplo, se pega fogo em uma fábrica destas, é um prejuízo social enorme, porque, certamente, esses presos ficariam sem emprego por um período”, analisa.