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Brasileiro com menor renda fuma mais

Folhapress
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São Paulo - Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado no dia 29 de agosto, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) realizou uma pesquisa que indica que os brasileiros com menor renda fumam mais.

Segundo os dados da Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab), os maiores percentuais de fumantes no Brasil, entre ambos os sexos, foram encontrados na população sem instrução (25,7%) e entre as pessoas de menor renda (21,3%), o que corresponde à população que ganhava menos de meio salário mínimo por mês.

A análise dos dados da PETab foi realizada como parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2008, do IBGE, e tem por objetivo fornecer informações para subsidiar a política nacional de controle do tabaco.

A pesquisa foi feita em 51.011 domicílios, entrevistando fumantes, não fumantes e ex-fumantes. O trabalho foi realizado em outros 13 países. Internacionalmente, é conhecido como Global Adult Tobacco Survey (Pesquisa Global de Tabagismo).

Apesar da queda no consumo de tabaco nas últimas décadas, o número de fumantes no País ainda é elevado: cerca de 25 milhões com idade igual ou superior a 15 anos. Contudo, 45,6% dos fumantes tentaram parar de fumar nos últimos 12 meses, o que corresponde a cerca de 12 milhões de pessoas.

A PETab confirmou a urgência de reforçar as recomendações da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, um tratado de saúde pública, ratificado por 168 países-membros da Organização Mundial de Saúde (OMS), de um total de 192. Entre outras coisas, o texto determina ações específicas de proteção ao tabagismo passivo.

A pesquisa ainda apontou que uma em cada cinco pessoas foi exposta à fumaça do cigarro em locais públicos em geral. Isso correspondeu a cerca de 26 milhões de pessoas, das quais 22 milhões eram não fumantes. Os jovens foram mais 10% expostos ao fumo passivo em locais públicos do que os adultos, totalizando 6,2 milhões de jovens.

“É preciso que a legislação em vigor, que ainda permite fumódromos, seja alterada para impedir 100% o uso de produtos do tabaco que emitem fumaça em ambientes coletivos e fechados”, alerta Liz Maria de Almeida, gerente de Divisão de Epidemiologia do Inca.Ainda de acordo com a PETab, do total de pessoas de 15 anos ou mais, 96,1% acreditavam que fumar poderia causar doenças graves. Outro dado em destaque é a elevada percepção da relação entre o uso de tabaco e o câncer de pulmão: 94,7% do total das pessoas entrevistadas, sendo 90,6%, fumantes, e 95,6%, não fumantes.

O tabagismo é a principal causa de tumores malignos evitáveis, como explica o cirurgião torácico e diretor do Hospital do Câncer I, Paulo de Biasi. “Se as pessoas não fumassem ou parassem de fumar isso evitaria dezenas de tipos de câncer, entre eles, os de pulmão, estômago, bexiga e colo do útero. 90% dos pacientes com câncer de pulmão no Inca são fumantes”, observa.

Outro problema grave é o tabagismo passivo. “Quanto mais cedo, uma pessoa é exposta ao cigarro em ambientes com fumantes, maior a possibilidade de vir a desenvolver câncer na vida adulta”, aponta de Biasi.

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Em 20 anos, número de

fumantes caiu 45% no País

Rio - Em 1989, 33% dos brasileiros maiores de 18 anos fumavam, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Hoje essa proporção é de 18%, concluiu a Pesquisa Especial de Tabagismo divulgada ontem pelo instituto. A queda foi de 45%.

A pesquisa, realizada a partir de 2008, entrevistou 39.425 brasileiros com mais de 15 anos. Desses, 17,5% fumam. Outros 13 países estão realizando a mesma pesquisa, mas nem todos divulgaram dados - a pesquisa mundial termina em outubro.

Na América, a pesquisa também incluiu o Uruguai, onde 25% da população com mais de 15 anos fuma, e o México, onde o número de fumantes a partir dessa idade é menor do que no Brasil: 15,9%.

“Já conseguimos reduzir bastante o número de fumantes, mas precisamos continuar a briga. A indústria do tabaco primeiro focou as mulheres, e o resultado já pode ser constatado: o número de mulheres que começa a fumar antes dos 15 anos é 22% maior do que a dos homens, segundo a pesquisa. Agora, o foco da indústria são os jovens. Essa é a principal faixa etária em que devemos trabalhar, porque é a idade em que é mais fácil abandonar o vício, também”, diz Liz Maria de Almeida, gerente da Divisão de Epidemiologia do Inca e responsável pela apresentação da pesquisa, ontem, na sede do instituto, no Rio.

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