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Bauru também é nome de dinossauro

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Engana-se quem pensa que Bauru é nome somente do tradicional sanduíche que faz sucesso pelo Brasil afora. No mundo científico, especificamente na paleontologia, a cidade também ocupa seu espaço.

Apesar da maioria dos bauruenses não saber, existe um gênero de paleocrocodilo que viveu na era dos dinossauros e foi batizado como Baurusuchus. A denominação provém da localidade onde ele foi encontrado: o Grupo Bauru.

De acordo com estudos paleontológicos, este grupo é uma produtiva área de pesquisas que, além especificamente da região da cidade de Bauru, abrange outras localidades no Estado de São Paulo e também Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso.

Porém, de acordo com o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Thiago Marinho, os fósseis do gênero Baurusuchus foram encontrados especificamente no Estado de São Paulo. Ele conta que o primeiro fóssil do dinossauro foi achado há mais de 60 anos, em 1945.

O pesquisador fez parte de um levantamento recente que estudou o crocodilo para analisar como ele caminhava. Na ocasião, foram utilizadas tomografias e, por meio de computação gráfica, foi feito um vídeo mostrando o modo como o animal se deslocava.

“A maior descoberta foi verificar que ele era essencialmente terrestre. Se ele nadava, nadava muito pouco”, afirma.

O fato foi comprovado porque o Baurusuchus tinha as pernas bastante longas, uma das principais diferenças em relação aos crocodilos atuais. Com isso, ele não arrastava a barriga no solo e andava de forma ereta.

Por ter essas características, foi possível concluir que o paleocrocodilo era um grande caçador. “Ele era carnívoro e, pelo tamanho das pernas, descobriu-se que era um predador ativo e não um carniceiro. O animal corria bem e, assim, podia atacar as presas”, explica.

O dinossauro possuía comprimento médio de 3,5 metros e pesava aproximadamente 80 quilos. De acordo com o pesquisador, em relação ao gênero, ele é o maior predador da área que habitava.

Marinho ainda conta que ele viveu na era Mesozóica, no fim do período cretáceo, o que corresponde há cerca de 90 milhões de anos.

O crânio do Baurusuchus era achatado lateralmente e são algumas diferenças exatamente nesta parte do corpo que diferenciam as três espécies do gênero. “Entre o Baurusuchus existe o pachecoi, o salgadoensis, que foi o que analisamos, e o albertoi. O que diferencia cada um são apenas pequenas diferenças no crânio, porém, todos têm a mesma fisiologia e os mesmos hábitos”, conclui.

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Região era habitat de carnívoros

O território ocupado pelos bauruenses era ocupado antigamente por uma quantidade enorme de crocodilos. De acordo com o paleontólogo Felipe Montefeltro, do Laboratório de Paleontologia na Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, este traço é um diferencial da região.

“Os entornos da cidade de Bauru, assim como todo o Grupo Bauru, trazem a diferença de ter uma fauna jurássica com prevalência de carnívoros. No estudo paleontológico em geral, é difícil encontrarmos muitos animais carnívoros. Nesse grupo não. Há muitos carnívoros”, afirma o peleontólogo.

Em um estudo recente, Montefeltro demonstrou pela primeira vez, com base em material fóssil bastante completo, que ao contrário do que se imaginava, o Baurusuchus também vivia onde hoje está o município de Campina Verde, em Minas Gerais. Antes, trabalhava-se com a hipótese de que esses animais somente viviam em São Paulo.

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