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‘Tudo aqui é muito próximo, fácil’

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A reconfiguração dos Altos da Cidade melhorou a qualidade de vida da vizinhança. “Tudo aqui é muito próximo”, argumenta a corretora de imóveis Maria Luísa Siqueira Moreno. O apego ao lugar onde vive há muitos anos também é apontado por ela como um forte motivo para querer continuar no bairro. Malu, como é mais conhecida, chegou ainda criança. E hoje ainda estão lá os ipês, a jabuticabeira, a goiabeira e o limoeiro, entre outras árvores que o pai plantou quando construiu a casa.

O mecanógrafo Elias Tentor, 69 anos, morador da Vila Mesquita, que faz parte dos Altos, não tem mais nenhuma árvore frutífera no quintal de casa, mas lembra com muita saudade do tempo em que pegava gabiroba, “cabeça de nego”, jambo, pitanga, entre outras frutas, nas chácaras que existiam ali por perto.

Um pouco mais para baixo da casa onde morava com os pais e agora mora com a esposa e filhos, havia um rio Bauru mais caudaloso, onde era possível nadar sem correr o risco de contrair uma doença infecciosa. “Na época, a molecada tinha o costume de nadar pelada. E era comum alguém passar e levar a roupa embora”, recorda. “A gente se divertia demais.”

Geny Francisca Mattos de Lima, hoje com 80 anos, lembra que quando a família chegou à Vila Samaritana havia apenas quatro casas na redondeza, a dela e outras três, a maioria de madeira. O resto era só mato. “Para comprar uma caixa de fósforo, tínhamos de andar bastante”, recorda-se.

A casa ficava ao lado do antigo Bauru Atlético Clube (BAC), que deu lugar a um supermercado. Ela conta ter visto, por várias vezes, Pelé carregando o caixote de engraxate nas costas, quando ele ainda era criança.

Após cerca de 10 anos no endereço, por volta dos anos 1950, Geny conta que o bairro começou a “encher”. Os espaços vazios foram dando lugar às casas e, pouco tempo depois, estava tudo ocupado.

Hoje, tem supermercado ao lado de sua casa. Para comprar a mesma caixa de fósforo de antigamente, ela não leva mais do que cinco minutos. “Melhorou bastante. Temos de tudo perto de casa”, comemora.

Altos abrangem 16 loteamentos

De acordo com a Divisão de Diretrizes e Normas da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), os Altos da Cidade compreendem o retângulo formado pela avenida Duque de Caxias, no trecho da região central, até a avenida Comendador José da Silva Martha, e da linha férrea até a alameda Doutor Octávio Pinheiro Brisola.

É um pedaço da cidade que abrange 16 loteamentos, popularmente chamados de bairros. Mas segundo definição da diretora da divisão, Franciluz Mariano da Malta, na linguagem técnica, bairro é um conjunto de loteamentos. Portanto, a Vila Mesquita, por exemplo, é um loteamento que faz parte do bairro Altos da Cidade.

Segundo ela, o nome do bairro teve origem na expressão dos próprios moradores. Quando eles queriam se referir ao local onde moravam diziam que era no “alto da cidade”, ou seja, na parte alta que começava a ser habitada. Assim, a região ficou conhecida como Altos da Cidade.

De acordo com as datas anotadas nas plantas de aprovação dos loteamentos, o bairro começou a surgir por volta da década de 1930.

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