Tribuna do Leitor

Animais em campo


| Tempo de leitura: 2 min

2 de setembro. O espetáculo tinha dois cenários: o primeiro era a casa dos meus pais, onde e meu marido fomos jantar. O segundo, uma concentração de “animais” no chamado campo de futebol. No primeiro cenário estavam os humanos. Jantamos, brincamos com o cachorrinho, abrimos mais uma Coca-Cola. Enquanto no segundo, os “animais” torciam, gritavam, bebiam etc. Os “animais” resolvem jogar um ônibus parado na casa vizinha a que os humanos estavam. Como esta pertence ao meu avô, os humanos saem desesperados, vêem a destruição, ficam alterados, procuram o avô.

Os “animais” discutem a situação do ônibus. O clima fica tenso, a rua cheia, eu chamo a policia e... Os “animais” tentam tirar o ônibus do lugar. Meu pai, pertencente aos humanos, pede para que isso não aconteça, para que a polícia veja a “cena do crime”.

Os “animais” ficam nervosos. Meu pai entra atrás do ônibus para que ele não saia do lugar. Os “animais” perdem a cabeça e começam a bater no meu pai. Alguém liga para polícia e ....

Eu, pertencente aos humanos, entro no meio da confusão, afinal quem eles agridem é um dos meus, pertencente ao grupo dos que mais amo. Meu pai corre para dentro de casa, fecham os portões. Eu, meu pai e minha mãe seguramos o portão em um ato vão de segurar muitos “animais”. Eles continuam com sua maneira de resolver, agredindo.

Eu sangro, meu pai se desespera, corre para dentro de casa, pega uma faca. Eu e minha mãe o seguramos, gritamos, jogamos no chão, pegamos a faca. Eu segurava meu pai, trancava as portas, ao telefone ligava pra polícia e...

Enquanto os “animais” jogavam pedras, destruíam o primeiro cenário, os humanos lutavam divididos em espécie dentro de casa: as fêmeas seguravam o macho, ligavam pra polícia e... Meu marido, que perdi no meio da confusão, foi à base policial buscar a polícia e... Os humanos se seguram, os “animais” destroem, meu marido explica, grita se desespera na base e... Vem a polícia sonolenta. Uns “animais” praticam o segundo ato característicos de sua covardia, fogem.

A rua se divide entre os “animais”, a polícia ao meio e os humanos. Os humanos nervosos confessos, a polícia é bonita, tem roupa igual, um carro novo, uma luz radiante que pisca, pisca, pisca e ....

Eu preciso ser atendida. Vou ao hospital. A polícia escreve em um papelzinho, acalma os humanos, conversa com os “animais” em uma linguagem animalesca.

Os “animaizinhos” vão embora, a polícia continua a escrever em um papelzinho a história que estão vendo. Esse papelzinho serve para... e também para... e depois...

Os humanos feridos, cansados, desestabilizados, hoje se preparam para os consertos dos cenários.

Graziele Couruzzi - atriz

Comentários

Comentários