Não importa quanto tempo leve. O nome paterno é importante no documento e faz falta, mesmo sem o convívio com a figura do pai durante anos. É o que pensam alguns filhos cuja certidão de nascimento e demais documentos expedidos ao longo da vida apresentam apenas a identidade das mães no quesito filiação.
Se alguns deles suam a camisa em busca do tão almejado reconhecimento, para outros isso é sonho impossível. “Meu pai faleceu quando eu tinha 5 anos. Ele não chegou a fazer meu registro”, lamenta a saladeira Luana Karina da Silva Marquesi.
Aos 24 anos, ela diz desconhecer os motivos pela ausência do registro, ainda mais quando outros três irmãos possuem o reconhecimento formal do pai. “Não sei porque ele não colocou o nome. É estranho”, considera Luana, cujos maiores problemas pelo registro monoparental (com apenas um dos pais) ocorreram durante a infância. “Era desagradável, um vazio. Na verdade, até hoje é estranho”, admite.
Quem também não tem boas recordações da infância, ao menos no quesito “pai e filho” é o auxiliar de almoxarifado Luiz Felipe Calderari, de 26 anos.
“Na escola era aquele negócio de gozação. Na verdade, enfrento isso até hoje”, conta ele, que considera o avô, já falecido, como seu pai de fato. “Morei com meu avô até os 15 anos e nunca me faltou nada”, valoriza. “Não tem como falar de outro cara, sempre foi meu avô”, afirma.
Contudo, Calderari diz ainda querer registrar o nome do pai em seus documentos. “Ele mora no Mato Grosso e me visitou algumas vezes quando eu era criança, depois parou. Quero ir atrás apenas pelo nome”, justifica o auxiliar, que tem dois irmãos, os quais não conhece, que moram com o pai.
“Não quero atrapalhar a vida deles, não quero dinheiro ou qualquer tipo de bens. Tenho meu trabalho”, argumenta o rapaz, pai de uma menina de 4 anos. “Não quero que minha filha passe pelo mesmo”.
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Em Bauru
Na cidade de Bauru, assim como em todo o Estado de São Paulo, a quantidade de requerimentos para reconhecimento de paternidade tem caído. É o que afirma Adenílson Luiz Mendes Novelli, oficial do 1º Cartório de Registro Civil de Bauru.
Ele atribui o menor número de filhos sem registro de pai na certidão de nascimento a um programa implantado há três anos pelo Judiciário Paulista. A iniciativa, na época denominada “Paternidade Responsável”, funcionava aos mesmos moldes que o recente programa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “Na época, muitas mães cujos filhos não tinham o registro da paternidade foram notificadas e aumentaram muito as averbações de reconhecimento de paternidade”, recorda.
Para o oficial de registro, ao menos no Estado de São Paulo a realidade é um pouco diferente em comparação às demais regiões brasileiras. “Isso ocorre mais no Nordeste e Norte do País”, acredita.