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Conforto mantém jovens na casa de seus pais

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Para o professor Sandro Caramaschi, do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a primeira coisa que precisa ser considerada nesse caso da Geração A é que nem todos os jovens dessa geração têm o perfil de desapego aos compromissos pessoais e profissionais e falta de um projeto de vida.

Segundo ele, isso caracteriza uma pequena porção de pessoas, especialmente, de classe média e média alta. São jovens que se caracterizam por ter conseguido um bom nível de vida sem muito esforço e, consequentemente, muito pouco resistentes à frustração.

Muitas vezes, são jovens que se acomodam em situações de manutenção do vínculo com os pais durante boa parte de sua vida adulta. Segundo Caramaschi, alguns autores denominam essa turma como “Geração Carona” ou “Geração Canguru”.

De acordo com o professor, tal fenômeno ocorre, basicamente, por dois fatores. O primeiro é o mercado de trabalho que exige uma formação cada vez mais extensa (graduação, especialização, pós-graduação etc), o que dificulta a independência econômica dos filhos. Por outro lado, a vida atual dos jovens permite que eles tenham ambiente confortável, possibilidade de ir e vir (com o carro dos pais), intimidade sexual com parceiros amorosos, cama, comida e roupa lavada.

“Não admira que tais jovens não tenham pressa de sair da casa dos pais”, diz. Caramaschi cita uma pesquisa realizada por ele, em que perguntou a alunos universitários se eles vislumbravam a possibilidade de voltar a morar com os pais depois de formados. De acordo com o professor, curiosamente, os homens apresentaram maior propensão de voltar para o ninho. Segundo ele, provavelmente isso se deve à maior liberdade que os homens têm na casa dos pais.

Para o diretor de recursos humanos Paulo Amorim, da Dell Brasil, estudar e analisar as gerações que convivem na atualidade, suas características e interações é de suma importância para as organizações. Ele lembra que, muito em breve, a Geração A fará sua entrada no meio profissional e trará consigo novos desafios no gerenciamento das pessoas. E a pergunta que fica é: será que a Geração “B” já nasceu?

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