Uma nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) exige que as autoescolas obtenham índice de aprovação superior a 60% nos testes teóricos e práticos. Por sua vez, empresas de Bauru que atuam no setor afirmam contabilizar uma média acima de 80% de aprovação. A principal ferramenta utilizada para confirmar a capacidade dos alunos é a aplicação de simulados ao final das aulas exigidas.
De acordo com a resolução do Contran, as autoescolas que não atingirem o nível mínimo de 60% de alunos aprovados em um período de 12 meses não terão o direito de renovar seu credenciamento para continuar atuando.
Entretanto, essa exigência do órgão federal não parece ter intimidado as escolas de formação de motoristas de Bauru, que afirmam contar com índices de aprovação que superam 80%.
Wanda Oliveira, diretora de ensino de uma autoescola em Bauru, diz que a média de aprovações da empresa é superior a 90%, quantidade garantida através da realização dos simulados.
“Nosso índice de aprovação fica em torno de 90% a 95%. Conseguimos isso em decorrência da qualidade dos profissionais e também da segurança passada com a aplicação dos simulados”, revela Wanda.
Em outra empresa do ramo, o diretor Paulo Eduardo Martins afirma que cerca de 80% dos alunos conseguem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na primeira tentativa.
“Não temos a obrigatoriedade de um simulado, mas contamos com a transparência na relação entre instrutor e aluno. Caso o instrutor acredite que o aluno não está preparado, ele sugere a simulação da prova para comprovar a necessidade de mais aulas”, informa Martins.
Tranquilidade
A instrutora teórica de outra autoescola consultada pelo Jornal da Cidade também destacou a quantidade de aprovações alcançadas, creditando o resultado positivo aos simulados.
“Aqui, cerca de 90% dos alunos conseguem a aprovação. Sem dúvida, a utilização dos simulados colabora nessa média. Eles servem tanto para tranquilizar os alunos para o momento da prova quanto para mostrar as falhas e retificar que eles precisam de mais aulas”, analisa Vanessa.
De acordo com dados da Associação das Autoescolas de Bauru, a cidade possui 27 empresas do ramo e realiza cerca de 200 provas de carro e 180 de motocicleta a cada semana.
A 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), responsável pela região de Bauru, não estava em posse, ontem, dos dados referentes à média bauruense de reprovação nos exames para a retirada da CNH. Entretanto, o delegado Dernival Mauro Inforzato afirmou que vai providenciar as informações nos próximos dias.
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Nervosismo é o maior inimigo na hora da prova
Apesar dos altos índices de aprovação evidenciados pelas autoescolas de Bauru, é difícil encontrar alguém que não conheça ao menos uma pessoa que já tenha sido reprovada nos exames para a retirada da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Para as pessoas que foram reprovadas, alunos que ainda vão prestar a prova prática e instrutores, a principal razão das reprovas é unânime: o nervosismo.
A auxiliar de serviços gerais Márcia Helena Souza Silva disse que está em constante evolução atrás do volante, mas acha que pode precisar de mais aulas que o mínimo recomendado.
“Já fiz 15 aulas e estou bem melhor, mais confiante. Mas acho que precisarei de mais aulas porque nunca tinha dirigido antes. Prefiro fazer mais aulas e estar melhor preparada para não correr o risco de reprovar”, afirma Márcia.
Ela destaca a relação de confiança com a instrutora como fundamental para conseguir chegar no dia do exame com mais tranquilidade. “Confio na minha instrutora e sei que ela vai me preparar da melhor maneira para a prova. Isso me ajuda a ficar menos ansiosa. Sem dúvida, esse nervosismo é o que mais causa as reprovações”, analisa Márcia.
Realizando aulas de motocicleta ontem no centro de treinamento de Bauru, o atendente de telemarketing Daniel Chagas Moreira Filho também define a parte psicológica como o ponto mais importante para a aprovação no dia do exame.
“Ainda tenho que fazer seis aulas e me sinto cada dia mais confiante. Entretanto, sei que no dia da prova é mais complicado, temos que tentar manter a calma acima de tudo porque não basta saber dirigir”, declarou Daniel.
Tanto Márcia e Daniel quanto os instrutores de autoescola que estavam no centro de treinamento na tarde de ontem ressaltaram que o nervosismo dos alunos é o fator que mais prejudica o desempenho no dia do exame. Eles contaram casos de pessoas que dirigiam carro e moto de maneira correta e não conseguiram passar na prova por conta da ansiedade. “A pessoa treme na base”, conclui Daniel.