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Dr. Automóvel: Compatibilidade mecânica

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Estivemos participando neste final de semana da Exposição de Antigomobilismo junto à Feira da Bondade da Apae, com um estande de nossa empresa. Lá tivemos a grata oportunidade de rever amigos antigomobilistas como o Eury e o Tosi com suas obras de arte. Alguns carros eram realmente dignos de exposição pelo valor histórico, nível de restauração e acabamento. Como já mencionamos nesta mesma coluna algumas vezes, um carro antigo tem interesse histórico pelo seu estado de conservação, por sua raridade e contexto histórico. Não precisa ser sempre um Ford 1929 para ser considerado antigo, é muito mais do que isso. Havia Chevettes, Opalas, Dodges, Mavericks, VW e Willys de vários modelos, todos impecáveis e outros que deixaram de ser originais por apresentarem modificações mecânicas que os descaracterizavam, mas que ao mesmo tempo se transformaram em novos e únicos veículos.

Tanto para os carros modificados quanto os originais surgem problemas mecânicos durante a construção ou restauração muitas vezes tidos como insolúveis, seja pela dificuldade de adaptação ou mesmo de encontrar a peça correta. Daí parte-se para o uso de outros componentes disponíveis no mercado, o que não é pecado nem proibido. O que precisa ter sempre em mente é a compatibilidade técnica na alteração, visando o desempenho e segurança do veículo.

Conversando com o amigo Dr. Tosi, que mais uma vez levou suas jóias para a exposição, vi sua preocupação em manter a originalidade de seu Romi Isetta vermelho (que babem os demais mortais, mas ele já me deixou dirigir o carrinho!). Como se sabe, a bitola traseira do bichinho é bem estreita e por este motivo a fábrica não o equipou com diferencial, considerando que um pequeno arraste dos pneus traseiros poderá ser absorvido pelo veículo em curva. Este arrasto é sentido na prática, conforme salientou Tosi, e me perguntou se haveria condições de colocar um diferencial na traseira. Possível quase sempre o é, desde que se tenham as peças, haja espaço físico para sua instalação e bastante grana no bolso para as emergências. O que irá decidir mesmo a alteração é se realmente será necessária e como ficará a originalidade. Eu sugeri deixar como está e aumentar a calibragem dos pneus traseiros, para que a banda de rodagem fique mais abaulada para fora e permita um escorregamento mais fácil, já que as velocidades consideradas para o veículo são baixas.

Outro caso interessante que pude observar foi mais radical, pois se tratava do triciclo motorizado (ou Trike, como é conhecido) do Nico, um dos mais bonitos e bem montados expostos, a meu ver. É um chassi tubular com motor VW refrigerado a ar na traseira e roda de moto na dianteira. O Nico substituiu a carburação simples original por uma dupla (também original para o motor) e me perguntou se ficaria melhor assim ou como estava. A carburação simples tinha um único carburador central que tinha que alimentar os 4 cilindros opostos, portanto a tubagem de admissão ficava mais longa. Isto tem influência no torque, na resposta de aceleração e no consumo do motor. Colocando a dupla carburação, fica um carburador para cada 2 cilindros, ou um por bancada, com dutos mais curtos. Isto ajuda na resposta do acelerador dando retomadas mais rápidas e o motor fica mais esperto. Considerando-se que o triciclo é bem mais leve que o carro original, o motor ficaria mais cheio. Outro problema que ele estava encontrando é com o pedal do acelerador, cuja geometria não estava permitindo puxar o cabo por completo e, portanto não conseguir acelerar tudo que dava. Em uma construção radical como é um trike precisa-se levar muito em conta toda esta geometria e ergonomia, pois o pé do piloto tem um movimento angular definido, dentro de uma faixa de conforto. Ninguém consegue virar o pé completamente para baixo por muito tempo sem ficar desconfortável. É importante verificar o tamanho da alavanca do pedal para puxar o exato comprimento de cabo.

Quem foi na exposição pode ver uma sequência de belos carros expostos, com ótimo acabamento (e todos funcionando, o que é primordial) como o Rambler, a pickup Chevrolet 1959 Marta Rocha, o Ford 1934, para citar apenas alguns. Parabéns ao Adriano da Stof Car pela organização e pelos trabalhos apresentados nos veículos. E a todos os colecionadores dedicados, pelo zelo em preservar a história do automóvel. Fico orgulhoso e contente vendo isso!

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