Irritação, sensação de areia nos olhos, sensibilidade à luz, olhos vermelhos. Se você apresenta algum desses sintomas, pode estar com conjuntivite. Fácil de ser transmitida, a infecção ocular é geralmente causada por vírus ou bactérias e se manifesta com mais frequência em épocas de ausência de chuvas e clima seco, como o atual.
Conforme levantamento do Departamento de Saúde Coletiva, da Secretaria Municipal de Saúde, neste ano foram registrados 317 casos da doença, que é de notificação obrigatória, contra 338 no mesmo período do ano passado. Portanto, apesar da onda de conjuntivite, os números estão dentro do padrão.
Dos 317 casos de inflamação ocular registrados neste ano, 257 atingiram pessoas maiores de 15 anos. Crianças de até 1 ano representam o grupo menos afetado, com 18 casos. O oftalmologista Fabiano Alves Neves, do Hospital de Olhos da Beneficência Portuguesa de Bauru, conta que a incidência da doença aumentou expressivamente nos últimos 60 dias.
No setor de urgência do hospital, em torno de 80% dos atendimentos estão relacionados a pacientes com a inflamação. Em uma única manhã, Neves afirma que já chegou a atender mais de 20 pacientes com conjuntivite. “Com o clima seco, é muito comum aumentar a incidência de conjuntivite. O olho tende a compensar a baixa umidade do ar aumentando a concentração de gordura na lágrima. Com isso, ela se torna mais suscetível a processos infecciosos”, explica Neves.
Os sintomas típicos da inflamação, que pode se desenvolver em três tipos diferentes (leia acima), são sensação de ardência, lacrimejamento, olhos vermelhos, secreção aquosa, purulenta ou mucosa dos olhos. “O paciente fica com sensação de desconforto, principalmente em ambientes iluminados”, alega Neves. “Em alguns casos, a inflamação pode até afetar a visão se atingir a córnea, provocando ceratite”, aponta o oftalmologista.
Há três dias, Priscila Cristina Dora, 22 anos, sentiu seu olho esquerdo lacrimejar sem cessar, assim como uma dor acima das pálpebras. “Ele arde muito e coça bastante. Amanheci com o olho grudado e reparei que estava muito vermelho”, contou. Ontem, ela aguardava atendimento no Pronto-Socorro Central (PSC). “Tenho certeza que é conjuntivite, já tive uma vez”, conta.
A recepcionista Daniela Aparecida dos Santos, 31 anos, também percebeu os mesmos sintomas e foi procurar atendimento médico no PSC. “O incômodo é grande, principalmente sob a luz do sol”, alegou.
A oftalmologista Cristiane Menezes Campagna, que atende em consultórios particulares, relata que chega a receber de três a quatro pacientes por semana. “Em dois meses, percebi que o número de atendimentos a pacientes com sintomas de conjuntivite aumentou bastante, pois não é uma patologia comum”, disse a médica. Ela concorda que o clima seco é o principal agravante da inflamação. “A baixa resistência do organismo pode também contribuir para o desenvolvimento da doença”, ressalta.
Catapora
Conforme o Jornal da Cidade divulgou no início do mês, a Secretaria Municipal de Saúde registrou seis surtos de catapora em Bauru, com 45 pessoas afetadas, entre janeiro a agosto deste ano. Em outras cidades, como São José do Rio Preto, a situação chega a ser mais alarmante: os casos aumentaram 756% de junho a agosto - em 2009, 92 pessoas foram infectadas, ante 788 neste ano.
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Infecciosa, alérgica ou tóxica
A conjuntivite infecciosa é transmitida por vírus, fungos ou bactérias. Quando ocorre uma epidemia de conjuntivite, pode-se dizer que é do tipo infecciosa.
A conjuntivite alérgica é aquela que ocorre em pessoas predispostas a alergias, como rinite ou bronquite. Esse tipo de conjuntivite não é contagioso, apesar de que pode começar em um olho e depois ser manifestada pelo outro.
A conjuntivite tóxica é causada por contato direto com algum agente tóxico, que pode ser um colírio medicamentoso ou alguns produtos de limpeza, fumaça de cigarro e poluentes industriais. Alguns outros irritantes capazes de causar conjuntivite tóxica são poluição do ar, sabão, sabonetes, spray, maquiagens, cloro e tintas para cabelo.
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Pancadas de chuva no domingo
Em agosto não choveu nenhuma gota em Bauru. Apesar de chuva de 17 milímetros no último dia 7 de setembro, o ar e o solo ainda estão muito secos porque a quantidade de água não foi suficiente para compensar a longa estiagem. Mas para domingo há 30% de probabilidade de pancadas de chuva no município.
Hoje a previsão é de céu com predomínio de sol e altas temperaturas, que podem chegar a 36 graus em Bauru. Porém, amanhã a temperatura deve começar a recuar. Para domingo, a previsão é de temperaturas entre 13 e 25 graus na cidade.
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Lavar as mãos é a melhor prevenção
De acordo com os especialistas, o principal meio de transmissão de conjuntivite são as mãos. “Levar as mãos aos olhos para aliviar a coceira da inflamação, acaba contaminando-as. Assim, ao cumprimentar alguém, o portador da secreção acaba transmitindo a inflamação para outra pessoa, que toca a mão infectada sob os olhos”, informa o oftalmologista Fabiano Neves.
A transmissão pode ocorrer também através do contato com objetos contaminados, como toalhas de rosto, teclado e mouse de computadores. Os ambientes fechados com número grande de pessoas podem facilitar a disseminação da doença. “Já tive pacientes que contraíram a inflamação através de óculos 3D de cinema. É preciso tomar cuidado”, alerta a especialista Cristiane Menezes Campagna.
Por isso, é importante sempre estar com as mãos limpas, procurando lavá-las constantemente. “Eu tenho contato diariamente com pacientes de conjuntivite há quase dez anos e nunca desenvolvi a inflamação, porque procuro estar sempre com as mãos limpas para evitar qualquer oportunidade de contágio”, comenta Neves.
Para tratar a conjuntivite, é indicado usar colírios e pomadas oftalmológicas, porém, os medicamentos devem ser prescritos pelo médico. O tratamento varia de uma a duas semanas. É aconselhável também que o paciente se afaste do trabalho.