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Nova acusação de lobby derruba Erenice

Folhapress
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Brasília - Braço-direito de Dilma Rousseff no governo, Erenice Guerra não é mais a ministra da Casa Civil. Caiu depois que sua situação ficou insustentável com a revelação feita ontem pela “Folha de S.Paulo” de mais um caso de lobby envolvendo seu filho Israel e servidores dentro da Casa Civil.

O presidente Lula decidiu pela saída de Erenice ao avaliar que ela perdeu o “controle” da situação e devido a pesquisas internas do PT apontando que o caso envolvendo seus familiares tinha um alto potencial de dano para a campanha de Dilma.

Erenice era a número 2 da Casa Civil e substituiu Dilma quando ela deixou o governo para se candidatar à Presidência. Erenice foi substituída interinamente por seu secretário-executivo, Carlos Eduardo Lima. A solução definitiva para o cargo divide o governo - se antes ou depois das eleições.

Coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Miriam Belchior era a primeira opção de Lula para o posto. Aliada de José Dirceu e ex-mulher do prefeito Celso Daniel (assassinado em 2002), ela receia assumir a Casa Civil e virar alvo no dia seguinte. Com isso, ganhou força o nome do ministro Paulo Bernardo (Planejamento) (leia mais abaixo).

Erenice caiu após a publicação pela “Folha de S.Paulo” de reportagem revelando que uma empresa de Campinas confirma que um lobby opera dentro da Casa Civil e acusa Israel Guerra de cobrar dinheiro para obter liberação de empréstimo no BNDES.

Foi o segundo caso do gênero. A revista “Veja” havia revelado a ação de Israel para a renovação de uma licença de uma empresa de carga aérea na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Surgiram então casos de outras atuações suspeitas envolvendo a irmã, o irmão, outro filho e o marido de Erenice.

Para Lula, a ministra foi, no mínimo, “imprudente”. Mas foi o cálculo eleitoral que pesou. Segundo pesquisas internas do PT, o tema é muito mais fácil de ser compreendido pelo eleitorado do que o da quebra de sigilo de tucanos na Receita e tem uma associação rápida ao ex-ministro José Dirceu, antecessor de Dilma na Casa Civil, e o mensalão.

Segundo pesquisas petistas, a propaganda tucana que mais impacta o eleitorado é exatamente a que liga Dilma a Dirceu.

A repercussão da reportagem da Folha foi analisada ontem logo cedo em reunião de Lula com assessores, quando ficou decidido que Erenice deveria ser convencida a pedir demissão.

Logo depois, o ministro Franklin Martins (Comunicação) foi até a casa de Erenice informar a posição de Lula.

O ministro auxiliou a agora ex-ministra a redigir sua carta de demissão para evitar um novo “desastre” como a nota em que Erenice culpa a campanha eleitoral pelas acusações e chama o candidato tucano José Serra de “aético” e “já derrotado”. Em seguida, Erenice se dirigiu ao Planalto, reunindo-se com o presidente. Encerrada a reunião, a saída da ministra foi anunciada.

Na carta de demissão, Erenice diz que nunca se furtou a responder os questionamentos e que pediu para ser investigada, mas, mesmo assim, “a sórdida campanha para desconstituição da minha imagem, do meu trabalho e da minha família continuou implacável”.

Segundo a nota, as “paixões eleitorais não podem justificar esse vale-tudo”. Erenice disse que precisa de “paz e tempo” para se defender das acusações de lobby.

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