Preocupada com roubos a padarias em Bauru, a Polícia Militar (PM) realizou na tarde de ontem uma palestra no 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI) com donos de panificadoras da cidade para alertá-los e divulgar uma espécie de manual com dicas de segurança.
Há aproximadamente um mês, a PM adotou o mesmo procedimento com donos de lotéricas. O conteúdo de ambas as palestras foi praticamente o mesmo, porém, a adesão dos panificadores foi visivelmente menor.
Ontem, compareceram apenas 10 donos de padarias e, para o presidente do Sindicato de Panificação e Confeitaria de Bauru e Região, Evaristo Rodriguez Gonzalez, a fraca presença foi vista com preocupação. “Eu sempre escuto que eles estão sendo assaltados, porém, quando a polícia vem ajudar, eles não comparecem. Eu esperava que mais gente viesse”.
De acordo com ele, em Bauru há aproximadamente 120 padarias. Se o número for levado em consideração, compareceram na palestra preventiva da PM menos de 10% desse total.
Outro fator preocupante apontado por Evaristo e pelos oficiais da PM é em relação ao registro do Boletim de Ocorrência (BO). O presidente do sindicato conta que, muitas vezes, por serem levados valores pequenos e com medo de atrapalhar a movimentação do local, os proprietários das padarias não registram o crime.
A postura se diferencia dos crimes em lotéricas, pois, nestes estabelecimentos, geralmente o valor levado pelos assaltantes é grande. Para o tenente Vitor Melo, palestrante tanto para donos de lotéricas quanto de padarias, não registrar o BO prejudica bastante o trabalho da polícia. “Nós trabalhamos sempre com base em estatísticas. Por serem baixos valores, o proprietário acha que não compensa registrar. Ele está errado pensando assim. Com base naquela ocorrência, já ficamos alerta e poderemos evitar crimes futuros no mesmo local”, aconselha.
Anderson Tavares, 34 anos, é proprietário de uma padaria que está sendo administrada pela família há 40 anos. Ele conta que os roubos começaram em 1994 e, desde então, já foi assaltado 12 vezes. Em resposta ao que afirmaram, o tenente e o presidente do sindicato, ele justifica que, devido à “grande burocracia”, na maioria das vezes, não registrou a ocorrência.
Em uma das poucas vezes que fez o BO, o envolvido era um adolescente que foi detido e liberado em seguida. Apoiado no ditado “rir para não chorar”, o fato gerou até mesmo uma piada contada pela vítima. “A burocracia é tanta que eu, que fui assaltado, fiquei na delegacia mais tempo do que o próprio bandido”, brinca.