O ranço do passado ficou tão impregnado que as novas versões de flores artificiais são chamadas atualmente de “flores permanentes”, como forma de mudar seu status. E é bom que seja assim, porque existe uma diferença abissal entre os modelos antigos e os modernos. Aquelas feitas de plástico e com aspecto grosseiro, que enfeitavam a casa da vovó, foram substituídas (ufa!) por tipos tão próximos das plantas naturais que é preciso tocá-las para descobrir que são cópias.
A sofisticação que esse produto adquiriu fez cair por terra o preconceito que imperou por muito tempo no mundo do decór. Flores artificiais eram o cúmulo da breguice. Profissionais avisavam, em tom ameaçador: em casa, ou se coloca planta natural ou é melhor não ter nada! Quem não tinha tempo nem talento para cuidar das plantas vivas, ou não dispunha de um ambiente propício para mantê-las saudáveis, acabava abrindo mão desse recurso decorativo.
A ditadura não existe mais: deixou de ser brega recorrer às flores artificiais para alegrar o ambiente. “As naturais continuam sendo a preferência, mas hoje as artificiais têm acabamentos tão perfeitos que podem, sim, complementar a decoração”, avisa a arquiteta Priscila Baliú. “Porém, deve-se evitar exageros e sempre procurar versões de qualidade.”
Para a decoradora e proprietária da Via Flores, Daniela Schmitt Féres, a sofisticação das flores permanentes é resultado do uso de materiais de qualidade. Para confeccioná-las hoje, usa-se seda, silicone e materiais plásticos mais finos, que levam pinturas delicadas e ganham texturas que imitam até machucados e irregularidades de folhas e caules.
“As versões de menor qualidade são uniformes, baratas e não têm harmonia estética”, afirma Daniela, que é especialista em arranjos artificiais. Com cada vez mais encomendas, ela elabora peças decorativas em halls, lavabos, salas de estar e até em cozinhas.
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Sem tempo
Caprichosa no cuidado com a casa, Maria Helena Burmaian, de 45 anos, casada e mãe de três adolescentes, deixou o preconceito de lado para adotar esse recurso na decoração. “É prático e bonito”, opina. “Como viajo muito, não dá para manter uma planta viva. Já as flores permanentes ficam sempre lindas, e não tem um convidado meu que não elogie.”
Custo-benefício no longo prazo é outra vantagem. Embora algumas flores permanentes cheguem a custar R$ 100,00 (uma única peça) e arranjos mais elaborados possam ultrapassar R$ 1 mil, a florista Suzana Ribeiro lembra que também não é barato manter as flores frescas, que normalmente duram uma semana. “Os homens incentivam suas esposas a comprarem as opções artificiais, pensando, principalmente, na economia”, conta.
Para aceitar o posto de florista da seção Garden (de flores fakes) da Futon&Home, Suzana venceu seu próprio preconceito. Apesar de hoje curtir bastante esse trabalho, às vezes sente falta de pegar e sentir uma flor natural. “Chegamos próximos da perfeição, mas nada se compara à mão de Deus.”
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Maior aceitação
O comércio festeja o crescente interesse dos consumidores por esse tipo de produto. Se antes Suzana recebia poucas encomendas por mês, hoje não para de atender quem chega pedindo orientação - sem custo extra, muitos levam vasos que já têm em casa para ela arrumar as flores. A gerente da Futon&Home, Thaís Pereira, diz que as vendas aumentaram e a loja chega a vender R$ 10 mil por mês.
Além das flores permanentes, há no mercado as “preservadas”: são naturais, mas passaram por um processo de conservação e de tingimento, para que durem por até dois anos. A técnica não tem nada a ver com desidratação. Rosas, hortênsias, orquídeas, crisântemos, de todas as cores, mantêm suas texturas, e são ideais para a decoração de interiores, pois adoram ar-condicionado, pouquíssima luminosidade e não querem saber de água.
São comercializas por Silvia Montenegro, da Flor de Cór, que as descobriu quando passeava pelas ruas de Lyon, na França. “Fui perguntar de onde eram e apenas contaram que vinham da Colômbia”, lembra. “Demorei seis meses para localizar o vendedor desse produto e, há quatro anos, me tornei importadora exclusiva no Brasil.” Comemora o crescimento do seu negócio, que entrou com tudo no nicho de casamentos.
Silvia também cria arranjos para consultórios, escritórios e residências. As flores e arranjos são tão reais, que ela precisa reforçar as orientações para empregados e recepcionistas, que cismam em regá-las. As peças não são baratas: uma rosa grande com cabo sai por R$ 60,00, e uma cabeça de hortênsia, R$ 57,00.
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Para não errar
Aposte em produtos com texturas e cores harmoniosas, e fuja daqueles com aspecto uniforme.
Vale misturar flores falsas com galhos naturais secos ou folhagens verdadeiras.
Cuidado para não exagerar na quantidade. O ideal é ter arranjos em poucos ambientes, não na casa inteira.
Equilíbrio nas formas: vaso simples pede flores mais sofisticadas, enquanto vaso mais pomposo pede as mais discretas.
Aposte em flores discretas e, principalmente, nas brancas, que combinam com qualquer decoração e não cansam.
Evite colocar arranjos artificiais em cima de mesas, para impedir que as pessoas toquem e percebam que são falsos. O ideal é colocá-los em espaços de acesso mais difícil.
Sempre limpe as flores, para que o pó não evidencie seu aspecto artificial.