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Empresas premiam ideias de funcionários

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 6 min

Bons salários, pagamento em dia e ambiente positivo dentro da empresa são excelentes atrativos para se manter a produtividade. Contudo, a motivação pode ser maior ainda se outros benefícios, além dos exigidos por lei, forem concedidos aos colaboradores.

Ainda incipiente no País, o sistema de meritocracia, que basicamente prima pela premiação de acordo com produtividade, começa a ser implantado em algumas empresas, inclusive em Bauru e região.

Tanto para atingir melhores resultados quanto para elevar a autoestima, a ideia começa a ser trabalhada na cidade por meio do Grupo Tiliform. A indústria de materiais para escritório, desde o início do ano, lembra Ricardo Lourenço Coube, gestor de resultado corporativo da empresa, incentiva maior participação de seus funcionários mediante encaminhamento de sugestões em urnas específicas espalhadas pelas unidades de produção.

“Na realidade, ensaiamos esse sistema há cerca de três anos, mas o método no atual formato se consolidou desde o início de 2010”, detalha o gestor da Tiliform, que premia seus colaboradores com bonificações junto ao ticket de alimentação.

Cada ideia contemplada rende ao seu autor um bônus de R$ 100,00. As propostas depositadas nas urnas, após recolhidas, acrescenta Coube, são avaliadas por um comitê. Antes disso, acentua, as sugestões são elencadas numa planilha.

De acordo com o gestor, muitas ideias ligadas principalmente à melhora do fluxo produtivo e economia já são aproveitadas pela corporação, que recolhe as sugestões depositadas de forma separada, de acordo com suas respectivas categorias. “Separamos as ideias em três divisões: social, econômica e ambiental”, especifica Coube.

“Sem dúvida é uma forma de motivação e vemos um número crescente de sugestões depositadas”, enaltece o gestor, que calcula uma média de 120 ideias coletadas mensalmente e algumas iniciativas que renderam desde grande economia, produtividade e até mesmo ações de sustentabilidade.

“Não conseguimos mensurar valores, mas uma das grandes ideias sugeridas por funcionários foi uma troca de lâmpadas que nos resultou em grande economia”, enaltece o gestor, ao se referir à substituição de luminárias que resultou numa economia de R$ 5 mil na conta de luz da empresa.

Boa ideia

Com sede em Botucatu, a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) já coloca esse conceito em prática há mais tempo. Desde 1988, a aeroespacial empreende o programa “Boa Ideia”, também com vistas a incentivar a criatividade e participação dos empregados.

Diariamente, de acordo com assessoria de imprensa da estatal, cerca de 20 sugestões são recolhidas diariamente. Se aprovadas, as propostas rendem aos autores desde brindes, como roupas, aparelhos de MP3 e mochilas, até passeios culturais e valores em dinheiro que, ainda de acordo com departamento de comunicação da empresa, podem chegar a R$ 10 mil.

Além de receber prêmios e possivelmente ver sua idealização colocada em prática pela empresa, o colaborador recebe o incentivo de ser o próprio defensor do projeto junto à direção.

“O próprio empregado apresenta sua ideia, em cerimônia que ocorre em sua própria área de trabalho e com a participação dos colegas”, ilustra Ricardo Santos, do setor de comunicação social da Embraer.

Segundo ele, um dos fatores que mais impressiona os diretores é a simplicidade de ideias, que, na prática, otimizam a produtividade, além de fomentarem o comprometimento dos funcionários, que, de acordo com Santos, encontram uma grande fonte de entusiasmo.

“O benefício maior não está só no retorno financeiro, que é muito bom, mas no surgimento de agregação, união, vontade e alegria”, destaca. “Não há quem não fique entusiasmado pelo fato de ver reconhecida sua sugestão”, acentua.

Os familiares dos colaboradores contemplados também são incluídos pela empresa. “A cada trimestre, os 100 empregados que sugeriram as melhores ideias ganham a oportunidade de levar um acompanhante para assistir a uma peça de teatro e um jantar, em São Paulo, com todas as despesas pagas”, acentua.

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Sustentabilidade

Recentemente, um dos projetos de destaque escolhidos pela direção da Tiliform dentro do programa de incentivo à criatividade dos funcionários, além de resultar em economia para a empresa, também está inserido nos atuais e cada vez mais necessários procedimentos sustentáveis.

É o caso da iniciativa do impressor Ronaldo José Mariano, que desenvolveu, no início do ano, um sistema de reaproveitamento de água na empresa bauruense. O liquido reutilizado, explica, é empregado na lavagem de equipamentos utilizados para tingir papel.

Carregada de resíduos de tinta, a água, a partir do projeto, deixa de ser lançada na rede de esgoto para ser reutilizada na mesma função, resultando em economia no consumo para a empresa, além de contribuição ambiental. “Em vez de ir para o ralo, a água retorna e é aproveitada da mesma forma”, ensina o impressor.

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Método deve ser adotado com cautela

Apesar de, na teoria, os métodos de incentivo por meio de premiações extra incentivarem os funcionários, o procedimento deve ser muito bem estudado pelas direções corporativas na hora de colocá-los em prática.

O alerta é feito pelo psicólogo do organizacional e do trabalho Luiz Carlos Canêo. Professor no curso de psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru, o especialista considera perigosa a introdução do método caso não haja maturidade – e muito estudo anterior – por parte da empresa.

“Requer muita maturidade. É um sistema com origem na cultura norte-americana, caracterizada pelo individualismo. O princípio básico da meritocracia é o individualismo, cada um recebe aquilo que merece. No Brasil, a cultura é de cooperação”, compara o psicólogo.

Segundo ele, um dos fatores que evidenciam o grau de maturidade da empresa prestes a adotar programas do gênero é o fato dela, apesar de premiar individualmente seus colaboradores, continuar levando em consideração o histórico de seus empregados, independentemente a fatos isolados.

Para o psicólogo, outras formas de incentivo – além do mérito individual por uma iniciativa isolada – devem ser mantidas, até porque desempenho, atesta o especialista, não está relacionado diretamente ao potencial e histórico do empregado, que, eventualmente, pode estar com criatividade ou outra qualidade em baixa devido a fatores alheios à dedicação ou aptidão para o cargo.

“É preciso levar em consideração todos os fatores determinantes ao desempenho. É um esquema que precisa ser muito bem pensado”, orienta o psicólogo, que reconhece alguns resultados consideráveis de empresas que premiam os funcionários por desempenho individual. “As pessoas são diferentes e reagem de formas diversas aos estímulos”, complementa.

Entretanto, reforça, essas ações somente se tornarão sucesso se empreendidas, acentua o psicólogo, tanto em relação à qualidade quanto à quantidade do pessoal envolvido.

Do contrário, caso não haja maturidade suficiente para dosar o incentivo individual com a natural valorização do coletivo e atenção ao histórico do profissional, adverte, ao invés de frutos, a empresa poderá ter até mesmo prejuízos. “Caso falte esse amadurecimento para a empresa, até mesmo a insatisfação pode ser estimulada”, avisa.

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