Geral

Jovens são orientadores de mais velhos

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Um dos principais motivos que elevam o “índice” de rejeição a novas ferramentas para uso no dia a dia é a questão da idade. Acostumada com métodos antigos e assustados com a velocidade com que a tecnologia evolui, muita gente se assusta com o mundo digital e prefere simplesmente ignorá-lo.

Entretanto, o advento e consolidação da Internet transformou muitos serviços, antes presenciais, em procedimentos eletrônicos, obrigando a adaptação ao meio virtual até mesmo para os mais reticentes.

Para atenuar esse choque, os mais jovens, geralmente mais acostumados a lidar com novas tecnologias, têm um papel fundamental como norteadores dos mais velhos, orienta a socióloga Loriza Lacerda de Almeida, professora no curso de comunicação social da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Bauru.

“Pessoas de outras gerações, ficam, em maioria, fora desse mundo (eletrônico). Por isso, cabe às novas gerações esse papel importante na mediação. Os mais novos precisariam agir na introdução da tecnologia junto aos mais velhos da mesma forma com que um professor primário com crianças”, compara a socióloga, ao concordar com a tese do surgimento de “analfabetos digitais” à medida que gerações mais antigas, por um ou outro motivo, deixam passar batido o mínimo de conhecimentos de informática.

Mas nem sempre os mais novos têm paciência para orientar os mais velhos, principalmente quando se trata de pais e filhos. “A maioria dos filhos não gosta de ensinar os pais a mexer no computador”, observa o professor de informática Luiz Roberto Bottacin Filho. “Quando ensinam, fazem muito rapidamente”, acentua o professor, que também enfatiza o temor sentido pelas gerações mais antigas.

“Às vezes existe até medo de apertar simplesmente um botão ou dar um clique no mouse”, acrescenta Bottacin, ao diferenciar que os mais velhos dificilmente se aventuram por redes sociais ou jogos quando introduzidos à informática. “A maioria está atrás de trabalho mesmo”, informa.

____________________

Fascínio

No caso da dona de casa Laurita Pereira da Silva Ribeiro, de 48 anos, a aversão que sentia ao meio digital se transformou numa relação de amor, pois foram justamente razões afetivas que a levaram a mergulhar nesse novo universo. “Tenho duas filhas e uma mora fora. Telefone estava ficando caro e a Internet gera menos custo para as conversas”, incentiva.

A afinidade, até então oculta pelo receio de experimentar os benefícios da tecnologia, foi tanta que ela se matriculou em curso de informática, frequentado por ela há quatro meses. “Achava que não era para mim, tinha medo”, admite a dona de casa, que, anteriormente, já havia sido matriculada em curso por uma das filhas. Mas ela abandonou as aulas.

Atualmente, a aluna da escola People Computação, em Bauru, se diz fascinada com o ambiente virtual do qual garante que não sairá. “É uma verdadeira janela para o mundo, algo fascinante”, valoriza.

____________________

Exceção à regra

A exclusão digital não ocorre apenas entre os mais pobres ou mais velhos, especificamente. Também tem gente nova que não se adapta ou se interessa num primeiro momento pelo universo de bytes, gigas e megas.

É o caso da estudante Patrícia Regina do Nascimento, de 26 anos. Recém-introduzida ao universo virtual, ela diz que, até pouco tempo atrás, não tinha vontade de se adaptar aos cada vez mais necessários computadores.

“Achava que não era muito a minha praia, não gostava”, afirma a jovem, que estuda informática há cinco meses e comemora os primeiros passos. “É importante para conseguir um bom trabalho”, diz, consciente. “Me arrependo de não ter procurado antes”.

____________________

Maioria dos jovens não usa o microblog

Enquete feita pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) revelou que a maioria dos jovens não usa o microblog Twitter, sucesso de acessos em todo o mundo. Responderam à pesquisa 3.830 estudantes de todo o País, no próprio site do centro.

Cerca de 68% deles afirmaram não usar o microblog. Outros 15% disseram que navegam no site para se atualizar, conhecer novas pessoas e trocar opiniões. Estes exploram todas as funções do Twitter.

O microblog permite que o usuário poste mensagens de até 140 caracteres, além de fotos e vídeos. Cada pessoa pode “seguir” milhares de órgãos, instituições, famosos e amigos, e assim ficar sabendo de tudo o que eles estão colocando na rede.

Para ver o Twitter, entretanto, não é preciso ter uma senha, já que as páginas, em sua maioria, são abertas.

O microblog foi criado em 2006, por Jack Dorsey, e já é o terceiro site com mais usuários do mundo. Em primeiro lugar está o facebook.

Comentários

Comentários