Internacional

Chávez respeitará resultado da eleição


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Caracas - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, após votar, ontem, nas eleições legislativas, defendeu o atual sistema eleitoral do país e disse que vai respeitar os resultados do pleito. “Há 20 anos, eu vi com estes olhos quando a direita roubou os votos descaradamente da esquerda”, declarou.

Questionado sobre a possibilidade de seu partido, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), não obter a maioria da Assembleia Nacional (Congresso), o mandatário disse preferir “não falar de hipóteses”. Chávez considerou ainda que o que importa hoje é o processo democrático empreendido durante os últimos 12 anos, desde que assumiu o poder.

O chefe de governo voltou a declarar que vai respeitar os resultados do pleito, sejam “favoráveis ou não”, pois “este é um processo participativo, senão o maior, um dos maiores do mundo”.

Chávez, a grande figura dos governistas durante a campanha, terá nestas votações um grande teste, verificar como anda o seu apoio popular, com base no resultado das urnas.

Iniciada às 6h locais (7h30 no horário de Brasília), as eleições têm como objetivo eleger os 165 membros da Assembleia, que assumem em janeiro do próximo ano para mandato de cinco anos, além dos 12 representantes do país no Parlamento Latino-americano (Parlatino).

Segundo pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente, os candidatos do PSUV devem obter entre 50% e 54% dos votos, ou seja, perderiam a maioria qualificada que têm atualmente.

Oposição

Diante do rolo compressor do chavismo, as forças da oposição encerraram a campanha discretamente, lembrando os venezuelanos da insegurança, crise energética ou aumento do custo de vida.

A chamada Mesa da Unidade Democrática, que reúne cerca de 30 organizações políticas, têm como principal oferta constituir uma Assembleia “plural”, para que cumpra com seu papel de controlar o governo de Chávez, a quem acusam de autoritário, ineficaz e corrupto.

A aposta da oposição é conseguir entre 60 e 70 dos assentos parlamentares, o suficiente para tirar a maioria qualificada dos governistas e ganhar voz no processo político após o boicote ao pleito em 2005, em protesto contra irregularidades no processo. O ato não deslegitimou a votação e garantiu a Chávez cinco anos de plenos poderes na Assembleia Nacional.

A coalizão aposta que, depois de 11 anos de governo de Chávez, os venezuelanos estão decepcionados com as altas taxas de criminalidade, com a recessão econômica e com a vida política protagonizada por setores irreconciliáveis.

O diretor do instituto privado de pesquisa Datanálisis, Luis Vicente León, alerta que ainda há espaço para surpresas. A decisão, afirma, deve estar nas mãos dos 37% de indecisos, que podem mudar a balança de 52% dos votos ao PSUV e 48% da oposição.

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Desafio para o chavismo

Caracas - O presidente Hugo Chávez foi o protagonista da campanha pelas eleições legislativas na Venezuela. Apoiado pela imprensa oficial e seu carisma, Chávez transformou a disputa pela maioria da Assembleia em uma prévia da eleição presidencial de 2012, onde concorrerá ao seu terceiro mandato consecutivo.

Segundo pesquisas de intenção de voto, a base governista deve obter mais de 50% dos votos. A dúvida é o exato tamanho da maioria. Uma maioria simples, entre 99 e 109 das 165 vagas no Parlamento, força o governo a negociar com a oposição para a aprovação de leis orgânicas e de novos integrantes dos demais poderes públicos, como o Supremo Tribunal, a Procuradoria e o Conselho Eleitoral (CNE) - o que pode resultar num freio às medidas radicais da revolução bolivariana chavista. Se ganhar ainda mais cadeiras, Chávez pode considerar acelerar ainda mais as reformas rumo ao “socialismo do século 21”.

“O comandante Chávez precisa da Assembleia Nacional que temos hoje: revolucionária, 100% chavista e devemos mantê-la assim”, ressaltou a dirigente do PSUV, Jacqueline Farías.

Chávez investiu pesado na campanha pelo seu Partido Socialista Unido (PSUV), lembrando as “conquistas da revolução” em educação e saúde. No poder desde 1999, o presidente percorreu vários Estados do país em caravanas com os candidatos governistas e acompanhado por milhares de simpatizantes.

2012 na mira

O presidente Hugo Chávez não se preocupa em esconder o olho em 2012 e enfatizou que a “batalha eleitoral” legislativa é apenas uma prévia da eleição presidencial.

Chávez foi eleito pela primeira vez em dezembro de 1998, com 56,2% dos votos. Dois anos depois, foi ratificado com 59% dos votos nas eleições presidenciais convocadas para legitimar os cargos públicos diante da nova Constituição de 1999. Os chavistas passaram a controlar ainda a Assembleia Nacional e mais municípios e Estados.

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