Acabo de assistir na Globo News, entrevista com o mito da MPB nos anos 60. Após trinta e sete anos de silêncio, aguardei com ansiedade a entrevista. Quando esta acabou fiquei com um sentimento de vazio, pois tinha acabado de presenciar a morte do ídolo de minha geração. Suas respostas, muitas vezes sem nexo, fizeram com que rememorasse a velha e decantada de que o brilhante compositor teria passado por “lavagem celebral” durante os anos de chumbo.
Não sei, não vi, nunca fui contra as forças armadas, protesta quem não está no poder, nunca tive engajamento político, etc... Nos deram a sensação de ver um homem marcado para todo o sempre, pelas agruras sofridas durante o regime militar.
Parece acenar pedindo paz, ao compor música em homenagem a FAB – merecida por sinal – e aparecer para a entrevista com camiseta com emblema da aviação.
Senti meu ídolo patético.
Eternamente perseguido, na sua mente.
Sergio Chapelin encerrou o dossiê, dizendo:
“Hoje, Geraldo Vandré mora em país de um único habitante: ele mesmo.”
Tristeza sem fim, ver a situação em que se encontra esta mente outrora iluminada da música brasileira. Herança do regime de arbítrio que alguns poucos teimam em querer de volta.
Vade Retro!
Antonio Pedroso Junior