Tribuna do Leitor

Sobre o padre Jesus Bringas


| Tempo de leitura: 2 min

Acabo de visitar  hoje (29/9) o padre Jesus, em Madrid, cujo quadro clìnico permanece inalterado, desde a última vez que o visitei no Brasil. Ele entende tudo, porém se comunica apenas com os olhos, suspiros e lágrimas. Quando o assunto diz respeito a Bauru, paróquia, história pessoal e amigos (as), a emoçäo é inevitável. Estou certo de que o padre Jesus está unindo a sua dor e doença degenerativa irreversível à Cruz de Cristo, completando em sua carne o que falta na Paixäo de Cristo.

Toda dor, associada à Cruz de Cristo, no olhar da fé, torna-se salvadora, isto é, colabora com Cristo na obra da salvaçäo, trazendo algum benefício para a humanidade e, também, para a Igreja de Cristo.

Nesse sentido, pode-se afirmar que a vida humana possui a mesma dignidade intrínseca, seja qual for sua situaçäo clínica, moral e social. Por essa razäo a Igreja afirma que a vida humana deve ser respeitada e tutelada da concepçäo à morte natural. Assim sendo, padre Jesus continua sendo o mesmo e a sua vida e ministério sacerdotal continuam produzindo bons frutos, mesmo prostrado numa cama e se comunicando apenas com os olhos, lágrimas e suspiros.

Essa é a teologia cristä, muitas vezes näo compreendida pela lógica eficientista, produtiva e utilitarista. Pe. Jesus reside numa casa construída especialmente para acolher os marianistas enfermos. Trata-se de uma casa bela, bem estruturada para atender diuturnamente aos enfermos, com qualidade e dignidade.

A casa é bem iluminada, silenciosa, com flores e jardins. Na mesma casa reside padre Antonio, irmão do padre Jesus e, em Madrid, outros quatro irmäos que frequentemente o visitam. Por ocasiäo da minha visita, conheci apenas dois: padre Antonio e Fernando. O local proporciona a conjunçäo tanto da família sanguínea quanto da família religiosa (marianistas). Esse fato näo deixa de ser também terapêutico. Afinal, o afeto também é curativo. E esse afeto, que näo lhe faltou em Bauru, segue em curso, chegando aqui por meio das oraçöes, amizade e solidariedade fraterna dos amigos (as) que tiveram a Graça de conhecer ou conviver com o padre Jesus.

Sigamos rezando por ele e pela sua vida e missäo, também em curso, que certamente segue produzindo bons frutos. Achei por bem partilhar tal informaçäo de modo público, considerando a expressäo que o padre Jesus conquistou em Bauru, tanto no meio eclesial quanto no meio social-cultural. Pe. Jesus é um homem plural, pautado pelo diálogo e tolerância. Sempre desejou dialogar com a cultura de seu tempo, seguindo a máxima de Fernando Pessoa: “Sê plural como o universo”.

Luiz Antonio Lopes Ricci - padre

Comentários

Comentários