Polícia

Jovens presos com maconha são soltos

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Os três universitários e o engenheiro que foram presos esta semana em Bauru após a polícia encontrar vasos e pés de maconha plantados na república em que residiam foram soltos por volta das 21h30 de ontem. A Justiça aceitou o pedido do habeas corpus impetrado pela defesa.

O advogado Maximiliano Biem Cunha Carvalho, que defende os quatro, fundamentou o pedido de soltura afirmando que todos têm residência fixa, não possuem antecedentes criminais e utilizavam o entorpecente encontrado apenas como usuários. Ainda argumenta que três dos quatro presos são estudantes universitários.

Após denúncia anônima, a polícia encontrou numa residência, localizada na quadra 4 da rua Benjamin Constant, no Jardim Higienópolis, sete vasos de maconha e dois pés da mesma substância plantados no jardim dos fundos da casa, na última terça-feira. Também foi encontrado um recipiente com quatro pequenos tabletes da substância, já prontos para consumo, além de outro contendo pequena quantidade da erva com uma etiqueta que indicava a data da coleta da planta.

Na ocasião, os estudantes de arquitetura Nathan André Luís Valesko Blaske, 23 anos, Paula Alves de Miranda, 27 anos, o estudante de biologia João Felipe Morel Alexandre, 23 anos, e o arquiteto formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Daniel Igor Tofolo Pereira, 25 anos, foram presos acusados de tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico e furto.

Os três rapazes foram recolhidos ao Centro de Detenção Provisória (CDP) e a garota à cadeia de Avaí. Segundo o delegado assistente da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), Ricardo Silva Dias, a liberdade preventiva não altera o rumo das investigações. “É comum, em início de processo, que ocorra isso. Porém, mesmo assim, a Dise vai continuar a investigar e apurar as reais circunstâncias do caso”.

Ele ressalta que, mesmo que uma das fundamentações do pedido de habeas corpus seja a de que os acusados eram somente usuários, a conclusão do inquérito pode confirmar tráfico, como foi registrado inicialmente no boletim de ocorrência. “Não estou falando sobre esse caso específico. Porém, quando é assim, se após as investigações policiais for comprovado que havia realmente tráfico, o delegado que estiver tratando do caso pode, inclusive, pedir a prisão preventiva dos suspeitos”, explica.

Ricardo Dias ainda afirma que o habeas corpus, na prática, muda somente o prazo para conclusão do inquérito. Com os suspeitos detidos, ele precisaria ser finalizado em 30 dias, porém, com a liberação, este prazo deixa de existir.

Apesar de não ser o delegado responsável pelo caso, ele explica que a continuação das investigações, entre outras linhas, se baseia na análise do produto apreendido, no laudo de confirmação de que a substância realmente era maconha, na avaliação das circunstâncias e também em depoimentos que podem ser colhidos.

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Placas furtadas

Na ocasião em que foram detidos, além do entorpecente, foram apreendidas também placas de sinalização viária, como de “Pare”, algumas outras pertencentes a laboratórios da Unesp e um carrinho de supermercado, considerados pela polícia prováveis produtos de furto.

Questionado sobre a acusação, o advogado Maximiliano Biem Cunha Carvalho afirmou que o fato não constava nos autos processuais e que os jovens respondiam judicialmente apenas em relação à questão do entorpecente encontrado na república e apreendido.

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