Aquelas fitas coloridas fixadas sobre a pele dos atletas de alta performance, principalmente quando assistimos a importantes competições de nível mundial, não são mais privilégio dos esportistas de ponta. Mais que um simples adorno ou simples proteções, as bandagens chamadas de Knesio Taping têm sido usadas como importante auxiliar em tratamentos fisioterapêuticos em atletas de “final de semana” e até mesmo entre o público que passa longe de quadras, pistas ou gramados.
Desenvolvida nos anos 1970 pelo quiroprata japonês Kenso Kaze, mas com chegada ao Brasil apenas na última década e com aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) somente em 2009, a técnica ajuda a combater problemas musculares, de postura e até mesmo procedimentos estéticos.
A técnica se baseia na constatação de que a função dos músculos não se restringe aos movimentos do corpo, mas também regulam o controle da circulação de fluxos venosos, linfáticos e temperatura corporal, ou seja, a incapacidade de funcionamento muscular pleno induz em diversos problemas e respectivos sintomas.
Entre os benefícios do tratamento auxiliar, que não usa medicamentos na aplicação, destaca o fisioterapeuta Jonas Franzolin Soares, que introduz a técnica em Bauru, estão o alívio da dor, redução na contração excessiva dos músculos, melhora na circulação sanguínea e linfática, auxílio na liberação de aderências, redução na fadiga muscular, entre outros.
“As bandagens reduzem inflamações e edemas, corrigem desalinhamentos articulares, bem como melhoram a amplitude de movimentos e correção postural”, elenca Soares, que estudou o método na Europa, em curso oficial.
“No Brasil existem muitos cursos, mas até o momento não há treinamento oficial”, diz o fisioterapeuta, prestes a obter a certificação para ministrar cursos oficiais no País. Junto a ele, estima, serão apenas outros sete profissionais com essa chancela em todo o Brasil.
Movimento
Um dos diferenciais desse tipo de bandagem em comparação aos métodos convencionais, destaca o fisioterapeuta, é o fato do Knesio Taping ter composição elástica e adesiva, sem impedir o movimento do atleta ou paciente.
“Com essa fisiologia, ela acelera o processo de autocura, que todos temos”, salienta. Sem aplicação de medicamento, a bandagem é composta por 100% algodão e se diferencia por ter uma textura muito semelhante à pele, com espessura porosa e poros, permitindo a transpiração sem irritação.
“A bandagem promove uma microelevação da pele. Na derme, existem receptores nervosos, onde se sente a dor. Nos processos inflamatórios ou lesões, essa região está toda congestionada, logo manda o sinal (para o cérebro) de dor. Com a microelevação e aumento de espaço, com melhor circulação linfática, ocorre menos pressão nesses receptores”, exemplifica Soares.
Ainda sobre o combate à dor, complementa o fisioterapeuta, o método é eficaz porque, explica ele, a tensão contrária provocada pela bandagem elástica inibe os chamados movimentos patológicos, ao evitar que o paciente movimente as áreas em reabilitação, mas que, ao mesmo tempo, possa utilizar outros músculos, seja em atividades esportivas de alto rendimento ou em situações corriqueiras, como movimentos repetitivos que causam as chamadas LER (Lesão por Esforço Repetitivo). “Na parte de cicatrização também há muitos resultados”, acentua o fisioterapeuta, que se especializou na Espanha e em Portugal.
‘Début' foi em Seul
Apesar de ter sido desenvolvido nos anos 70, o método de Knesio Taping começou a ganhar fama no meio esportivo durante os Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, quando atletas nipônicos começaram a utilizar as bandagens elásticas adesivas.
O fisioterapeuta Jonas Franzolin Soares, que ministra cursos e palestras em diferentes centros formadores de profissionais da área e academias no Estado, lembra que a técnica - segundo ele ideal para tratamentos de atletas de futebol, vôlei, basquete e atletismo, bem como doenças ocupacionais – comprova a eficácia de assistência externa na ajuda a tratamento muscular e de outros tecidos.
Para esportistas amadores, a técnica também é um importante aliado no combate a dor e lesões causadas, muitas vezes, por atividades realizadas de forma inadequada.
Adepto da musculação, o advogado Fernando Otávio Bortolotto Soares conta que teve problemas nos ombros por conta de exercícios feitos de maneira errada. “Lesionei por causa de treino errado, excesso de carga”, admite. “O interessante é que a bandagem poupa a parte machucada. Volta e meia uso”, conta.
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Técnica mescla regeneração e performance /b>
No esporte profissional, a técnica com bandagens Knesio Taping ganha adesão gradual e consolida-se como importante instrumento de apoio regenerativo principalmente entre times de basquete e vôlei. Nos jogos Olímpicos de Pequim, há dois anos, muitos atletas puderam ser observados com a bandagem durante as provas. No futebol, frisa o fisioterapeuta Jonas Franzolin Soares, alguns clubes de ponta começam a empregar o método. “No Brasil, Santos e Internacional já utilizam”, destaca.
Em Bauru, a aplicação das bandagens especiais reflete em bons resultados nos tratamentos de lesões no elenco do voleibol feminino Luso/Iesb Preve/Beneplan/Semel. Desde o início da temporada, lembra o fisioterapeuta do time, José Bassan, as técnicas trazidas pelo colega Jonas Franzolin Soares têm sido um importante aliado na recuperação das atletas.
Envolvido em duas competições simultâneas – disputa o campeonato estadual adulto da Federação Paulista da modalidade, além do torneio paralelo organizado pela Associação Pró Voleibol (APV), o grupo, naturalmente, sofre com maior desgaste das atletas, gerando grande demanda de tratamento fisioterápico.
Para acelerar o tempo de regeneração e, ao mesmo tempo, garantir performance em quadra e evolução nos treinamentos, o fisioterapeuta do time conta que o método de bandagens Knesio Taping tem sido importante complemento dos trabalhos de recuperação. “Iniciamos o procedimento em fevereiro e notamos uma grande diferença”, observa Bassan.
Segundo ele, metade do time, composto por 15 jogadoras, já foi submetido ao tratamento complementar. “É um grande auxílio na evolução do tratamento sem perder rendimento”, explica, ao citar a proteção dos músculos em recuperação paralela à liberdade de movimentos de outras partes do corpo das atletas, que aplicam as bandagens alguns minutos antes de entrar em quadra.
Após os jogos, o dispositivo é mantido por entre três a cinco dias, outro diferencial da técnica, enfatiza o fisioterapeuta, que incentiva a difusão do modelo de tratamento em Bauru.
“A durabilidade é outro ganho em relação às outras bandagens”, destaca Soares. “Ao ficar no corpo por mais tempo, o estímulo é permanente, mandado 24 horas por dia e, como não impede os movimentos, é possível fazer as atividades diárias normalmente”, destaca.
A jogadora Tahysa Buss Carvalho aprovou as bandagens usadas por ela durante partida neste ano. Em tratamento por causa de tendinite e bursite no ombro direito, as fitas permitiram que ela pudesse jogar sem dor – na época intensa, recorda - e ao mesmo tempo estimular a regeneração. “Sentia dor sempre ao atacar a bola”, recorda a ponteira do Luso. “A bandagem me deu mais estabilidade e limitou o movimento que causava dor”, completa.