Levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Saúde revelou que oito cidades do Estado de São Paulo estão em situação de alerta devido à dengue e Bauru está na segunda colocação dessa lista (leia mais na página 20). O índice utilizado no estudo mostra que 1,7% dos imóveis pesquisados no município apresentam larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
Dos 33 municípios paulistas que enviaram os dados ao órgão até o momento, os demais 25 apresentaram níveis satisfatórios - abaixo de 1% - e em nenhum há risco iminente de surto. No ano passado, a proporção em Bauru era de 3,4 imóveis infectados a cada 100 visitados e a cidade ocupava a terceira colocação no ranking dos municípios paulistas.
Ainda que o nível de infestação tenha caído no último ano, a quantidade de casos registrados aumentou sensivelmente no período. Até outubro deste ano, a cidade computa 637 casos de dengue autóctones, além de outros 47 importados de outros municípios. Em todo 2009, foram confirmados apenas 23 casos. A última grande epidemia de dengue ocorreu em 2007, quando 2.131 pessoas foram infectadas. Em 2008 o número caiu para 146.
De fato, segundo confirma o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, ainda não há comprovação da existência de uma correspondência entre a quantidade de casos registrados pelos municípios e o índice calculado pelo Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. “Pode ser que, em algumas regiões da cidade, esse índice seja muito alto e na maioria das outras regiões, quase nível zero. Quando se faz a média, fica nesta faixa (de 1,7%)”, explica.
Desafio
Embora não tenha explicado porque Bauru se mantém, por dois anos consecutivos, entre as primeiras cidades com maior nível de infestação no território paulista, o secretário aponta que a dengue permanece como um desafio para grande parte dos municípios, em maior ou menor intensidade. “O número de casos aumentou em todo o Estado e, como as pessoas se deslocam com muita facilidade, aumentam as chances de transmissão aqui em Bauru também. Não há como a cidade se manter como uma ilha”, pontua.
Segundo o secretário, a dificuldade em exterminar o mosquito transmissor da dengue também reside no fato de a doença ter deixado de ser um problema sazonal, já que, ao longo dos anos, o Aedes aegypti conseguiu se adaptar a temperaturas mais amenas. Tendo acesso à água parada, ele pode se procriar o ano todo e, apesar de o inverno ser uma estação de pouca chuva, até mesmo nesta época muitos criadouros são identificados em toda a cidade.
“O próprio modo de vida atual das pessoas, que consomem muitos produtos vendidos em embalagens descartáveis, colabora para que o mosquito se prolifere. As garrafas plásticas e de vidro, por exemplo, são locais propícios para o Aedes colocar seus ovos”, observa.
Além dos recipientes descartáveis, os pratos de plantas e as caixas de água destampadas criadouros ideais para o mosquito se reproduzir. Por isso, lembra Monti, a secretaria vem desencadeando operações para orientar, eliminar ovos do Aedes e perfurar os pratos de plantas nas residências localizadas nas regiões de maior índice de infestação. Também realiza, periodicamente, nebulizações com inseticida para matar os mosquitos adultos.
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Outras cidades
O Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa) 2010 avaliou 59 municípios do Estado de São Paulo e, dos 33 que enviaram os dados ao Ministério Público até o momento, oito estão em estado de alerta para a dengue. Pela ordem, são eles: Ribeirão Preto (1,8), Bauru (1,7), Andradina (1,6), São Sebastião (1,6), Tupã (1,5), Cubatão (1,1), Barretos (1,0) e Taubaté (1,0). Os demais tiveram resultados considerados satisfatórios, abaixo de 1,0. No ano passado, das dez cidades em risco de surto no País, duas eram do Estado: Barretos e Presidente Prudente.
No País, 15 municípios estão em risco de surto da doença no Brasil - com índice acima de 3,9, incluindo as capitais Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC). São 11 cidades no Nordeste, três no Norte e uma no Sudeste. Outros 123 municípios, dos quais 11 capitais, estão em situação de alerta.
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Mortes ligadas à doença aumentam 90% no País
O número de mortes provocadas pela dengue no País aumentou 89,7% entre janeiro e outubro deste ano, em comparação a todo o ano passado, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde. Foram 312 mortes em 2009 e, em 2010, 592.
O número de casos notificados da doença aumentou mais de 90% no mesmo período. Em todo o ano de 2009, foram notificados 489.819 casos e, neste ano, mais de 936 mil. Segundo o ministério, 70% dos casos notificados estão concentrados em seis Estados: São Paulo, Acre, Minas Gerais, Rondônia, Mato Grosso do Sul e Goiás. A maior parte das mortes teve como causa o vírus do tipo 1 da doença, comum nos anos 1990 e que causa a forma clássica da doença.
Entre os fatores apontados como responsáveis pelo aumento estão a alta incidência de chuvas, temperaturas elevadas, baixo saneamento e alto número de domicílios sem coleta regular de lixo.
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Sintomas e transmissão
Os principais sintomas da dengue são febre, dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal, entre outros sintomas. A Secretaria de Saúde alerta a todos aqueles que apresentarem febre acompanhada de pelo menos mais dois outros sintomas relacionados, que procurem a unidade básica mais próxima de sua residência para receber o atendimento adequado.
A dengue é transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti infectado, mas também pelo Aedes albopictus. Esses mosquitos picam durante o dia, ao contrário do mosquito comum (Culex), que pica durante a noite.