Geral

Jornada discutirá direitos humanos

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Diz-se que o direito de um cidadão começa onde acaba o de outro, e vice-versa. Para o professor Clodoaldo Meneghello, que também é pós-graduado em direitos humanos e coordenador do Observatório de Educação em Direitos Humanos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, é muito mais. Direitos humanos é um conceito profundo de cidadania que envolve várias ideologias.

É com esse espírito que ontem foi lançada a primeira Jornada pelos Direitos Humanos, durante evento no espaço Café com Política, do JC. As atividades serão realizadas entre os dias 16 e 28 de novembro.

Para conseguir fazer o sonho de quase três anos se tornar realidade, foi necessário estudar muito a sociedade bauruense. Meneghello destaca que Bauru está crescendo em ritmo acelerado, e isso implica na distorção da prática da cidadania.

“A cidade ainda dá para consertar. As pessoas têm que entender que o mundo está como uma panela de pressão, prestes a explodir. O clima está alterado assim como os fenômenos naturais, mas essa situação ainda pode ser mudada”.

O professor ainda explica que a população cobra muito da esfera pública soluções para problemas diversos. “Elas têm que entender que cada um tem uma esfera pública dentro de si e que não basta cobrar soluções do poder público e ficar de braços cruzados. É por isso que também queremos montar um Conselho Municipal de Direitos Humanos, onde cada pessoa, com sua determinada ideologia e pensamento, possa discutir esses problemas. Juntos, podemos achar uma solução”, afirmou.

Cartilhas

Estiveram presentes no lançamento do evento, ontem, representantes de várias entidades, como a secretária do Bem-Estar Social, Darlene Tendolo. Para ela, a jornada deveria “perdurar para sempre”. “Nós, assistentes sociais, vamos levar com os Cras e os Creas o conceito de direitos humanos para as populações carentes de Bauru. Queremos ficar mais perto dessas comunidades.”

Para o gerente editorial do Jornal da Cidade, João Jabbour, é preciso desmistificar o significado de direitos humanos. “Todos falamos de direitos humanos, mas pouco praticamos. E precisamos desmistificar alguns conceitos distorcidos sobre o tema”, defendeu, na abertura da reunião.

Cerca de 5 mil cartilhas feitas pelo escritor Ziraldo e confeccionadas pelo governo federal serão impressas pelo JC e entregues, durante o evento, a crianças no Serviço Social do Comércio (Sesc) e também para alunos de diversas escolas da cidade.

“A cartilha tem uma linguagem simplificada para as crianças e é muito importante que elas entendam esse conceito desde pequenas”, ressaltou Mônica Machado, gerente do Sesc.

____________________

Visão ampla da sociedade

Com uma visão ampla e abrangente da sociedade, o professor Clodoaldo Meneghello, que também é pós graduado em direitos humanos e coordenador do Observatório de Educação em Direitos Humanos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, ressalta que é importante que cada cidadão acredite que possui uma esfera pública dentro de si.

“Cada um tem que resgatar esse instinto dentro de si para conseguir debater a cidade no geral e entender que a cidadania é um todo, e não individual. Não basta ter boa vontade, é preciso evitar violações e buscar infraestrutura para a população. Nós vemos que as drogas são um problema constante e que também cabe à sociedade discutir o assunto e as políticas públicas que podem ajudar a solucionar o problema”, defendeu.

____________________

Desigualdade social

Na sociedade atual, os menos favorecidos reclamam que não conseguem exercer seus direitos de cidadãos. Para o professor Clodoaldo Meneghello, cada um deve fazer valer sua dimensão de sujeito e atuar como tal. “Por exemplo, o Movimento dos sem-terra. Eles cobram uma solução para a reforma agrária, mas agem de forma errada. Todas as pessoas precisam de um espaço para se organizar”.

A primeira Jornada pelos Direitos Humanos envolve mais de 32 entidades. Estão programadas palestras que de 22 a 25 de novembro e oficinas nos dias 18, 19, 20, 23 e 25. A programação pode ser acessada pelo http://unesp.br/observatorio_ses//int_conteudo_sem_img.php? conteudo=1337.

O evento é realizado e apoiado pela Comissão de Direitos Humanos, Câmara Municipal, Comissão de Direitos Humanos da OAB-Bauru, Conselho Municipal da Condição Feminina, Conselho Municipal da Comunidade Negra, Conselho Regional de Psicologia, Grupo contra a Violência e Violação dos Direitos Humanos, Instituto Acesso Popular, Jornal da Cidade, Movimento Hip Hop, Prefeitura, Secretaria da Educação, Núcleo de Educação em Direitos Humanos, Semma, Secretaria do Bem-Estar Social, Rádio Veritas FM, Sesc, TV Com Bauru, Unesp, Observatório de Educação em Direitos Humanos, Grupo de Pesquisa: Ética, Educação e Direitos Humanos, Rádio Unesp FM, Cine Clube FAAC, Academia João Pequeno de Pastinha, Movimento de Artes Plásticas, Movimento Estudantil, União Brasileira de Trovadores e Unip.

Comentários

Comentários