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Bola nega o assassinato de Eliza e apresenta álibi


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Contagem - Acusado de ser o executor de Eliza Samudio, o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o “Bola”, alegou ontem inocência no desaparecimento e possível morte da ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. Em depoimento à juíza Marixa Rodrigues, no Tribunal do Júri de Contagem (MG), Bola fez várias acusações contra o delegado Edson Moreira, que chefiou o inquérito policial.

A audiência de instrução foi encerrada com o depoimento do ex-policial e de Fernanda Gomes Castro, ex-namorada do goleiro Bruno. Ele pediu “perdão” e admitiu que mentiu no depoimento prestado à Polícia Civil, quando disse que nunca tinha visto Eliza Samudio.

Álibi

Respondendo somente a seu advogado, Luiz Alberto de Oliveira, Bola negou as acusações e, como álibi, alegou que compareceu fisicamente e assistiu a uma aula de um curso superior a distância que fazia numa faculdade na região da Pampulha, em Belo Horizonte, na noite do dia 10 de junho - data em que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público (MP), Eliza Samudio foi morta por asfixia pelo ex-policial.

No primeiro depoimento que prestou à polícia, o menor J., primo de Bruno, disse que Bola, após matar Eliza, esquartejou seu corpo e jogou partes para cães da raça rotweiller.

O ex-policial afirmou que seus cachorros não foram treinados para atacar e que os animais não “comiam carnes cruas”. Bola justificou os contatos telefônicos com Luiz Henrique Romão, o “Macarrão”, pois queria que ele ajudasse o filho a se tornar jogador de futebol.

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“Anjo mau”

Contagem - O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o “Bola”se recusou a responder às perguntas da juíza Marixa Rodrigues, do promotor Gustavo Fantini e dos assistentes da acusação. Aceitou apenas responder aos questionamentos do seu advogado.

No depoimento, alegou que foi “torturado psicologicamente” por Moreira. Disse que mantém uma rixa com o delegado desde o início dos anos 1980, quando era aluno da Academia de Polícia Civil de Minas Gerais (Acadepol).

“Ele é meu inimigo. Ele é o anjo mau, o que impõe terror. A toda hora ele me ameaçava, dizendo que queria pelo menos a perna da moça (Eliza), pois era a carreira dele que estava em jogo.”

Bola também disse que Moreira pediu que intermediasse uma tentativa de extorsão contra Bruno para que o goleiro e ele fossem retirados do inquérito. A mesma acusação foi feita por Bruno em seu depoimento na quinta-feira. Segundo o ex-policial, o delegado teria solicitado que ele pedisse “ao patrão” R$ 2 milhões. Moreira não quis comentar as acusações.

À juíza, Fernanda Castro alegou que mentiu sobre Eliza porque passava por um momento de “desespero” e queria provar sua inocência. A ex-namorada de Bruno disse que conheceu a jovem quando ela foi levada por Luiz Henrique Romão, o “Macarrão”, para a casa do goleiro no Rio de Janeiro, no início de junho - antes da viagem para Minas.

A ex-namorada de Bruno assegurou que não viu nenhum ferimento na cabeça de Eliza e nem hematomas no corpo da jovem. Mas disse que a ex-amante do goleiro contou para ela que, no trajeto até a residência, tinha sido agredida pelo menor J. - primo de Bruno.

Segundo Fernanda, Eliza disse que se relacionou com Bruno durante cerca de três meses e reclamou que Macarrão - que intermediava a relação dela com o atleta - sempre prometia que o goleiro iria fazer o exame de DNA, mas ficava “enrolando”.

A ré disse que desconhecia qualquer acordo financeiro entre Bruno e Eliza. Mas afirmou que a jovem contou que o goleiro havia proposto a ela que fosse morar com o filho em Belo Horizonte, onde ficaria perto de seus parentes.

Na viagem do Rio para a região metropolitana da capital mineira, Fernanda disse que Bruno chegou a dar carona para um policial, mas não soube dar detalhes.

Quando Bruno e Macarrão retornaram ao Rio, Fernanda disse que perguntou ao braço direito do goleiro se ele tinha conseguido arranjar o apartamento e ele teria dito que não, afirmando que Eliza havia “deixado o nenê no sítio, ido a São Paulo buscar umas roupas, mas que voltaria”.

Segundo ela, Macarrão afirmou que Bruno tinha entregue R$ 30 mil para Eliza - mesma versão dada pelo goleiro em depoimento anteontem. Fernanda também contou que Bruno disse a ela que estava com medo de ter caído em uma “armação” de Eliza.

A juíza informou que irá abrir vistas dos autos para alegações finais do MP e da defesa dos acusados. Se forem pronunciados, os réus serão levados a júri popular.

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