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MP quer 30 anos de cadeia para réu do caso Celso Daniel


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São Paulo - O Ministério Público quer 12 anos de cadeia, no mínimo, e 30, no máximo, para Marcos Roberto Bispo dos Santos, primeiro réu do caso Celso Daniel que vai a júri popular hoje, no Fórum de Itapecerica da Serra.

A acusação, a cargo do promotor Francisco Cembranelli, vai sustentar aos jurados que o então prefeito de Santo André, do PT, foi vítima de organização criminosa que se apoderava de recursos da administração e que o dinheiro desviado tinha dois destinos inequívocos: contas pessoais de integrantes do grupo e caixa de campanha do partido.

Daniel foi sequestrado na noite de 18 de janeiro de 2002. Dois dias depois seu corpo, crivado de balas, foi localizado em uma estrada de terra de Itapecerica. O promotor está convencido de que o petista foi eliminado “por um grupo de bandidos perigosos contratados para ação ousada cujo objetivo era garantir a continuidade de vários crimes contra a administração pública”. Cembranelli vai dizer aos jurados que o prefeito “tinha ciência da corrupção e contrataram sua morte quando ameaçou tomar providências”.

Contra Bispo pesa a acusação formal de homicídio triplamente qualificado - motivo torpe mediante recompensa, utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e agiu para garantir delitos contra a administração.

O repasse de dinheiro de corrupção para o PT faz parte do arsenal de argumentos do promotor. “Está documentado. Existem vários processos em Santo André contra essas pessoas que dilapidaram o patrimônio público, desviavam dinheiro para suas contas pessoais.”

O promotor destaca que “alguns procedimentos falam em desvios de milhões”. “Havia um desvio para caixa de campanha e havia desvio bastante grande para contas pessoais.”

O acusador diz que quem participou do sequestro e fuzilamento do prefeito “não tinha ligação com os políticos envolvidos no desvio de verba pública”. O promotor cita Gilberto Carvalho, assessor especial de Lula. Carvalho foi secretário municipal de Santo André e depois chefe de gabinete na gestão Celso Daniel.

Para Cembranelli o crime teve mandantes e um deles seria o empresário Sérgio Gomes, o Sombra, que foi segurança e assessor de Celso Daniel. O criminalista Roberto Podval recorreu ao Tribunal de Justiça contra a sentença de pronúncia que manda Sombra a júri popular. “Há outros mandantes”, assinala o promotor.

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