A Faculdade de Engenharia (FE) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, realiza hoje a 2.ª Mostra do Projeto Bambu - denominada “Entre Fibras” -, das 8h às 22h30, no prédio da Fundação para o Desenvolvimento de Bauru (Fundeb), com entrada gratuita. No espaço estarão expostos móveis, luminárias e utensílios produzidos pelo grupo agroecológico Viverde, formado pelos moradores do assentamento Aymorés, em Pederneiras, e por estudantes do projeto Taquara.
Em atividade desde 2008, o projeto é coordenado pelo professor da FE Marco Antonio dos Reis Pereira, que há mais de duas décadas desenvolve pesquisas tendo o bambu como matéria prima em aplicações que vão do uso na alimentação até o industrial. As atividades desenvolvida por ele vêm sendo ampliadas nos últimos anos.
As peças em exposição serão comercializadas no local. Para quem tiver interesse em ver o que será oferecido basta acessar o endereço http://www.flickr.com/photos/grupoviverde. Também hoje, o grupo Viverde realizará, das 8h às 12h, uma oficina de plantio e manejo de bambu na fazenda experimental do campus. Os interessados podem fazer inscrição pelo telefone (14) 3103-6121 e a taxa de participação é de R$ 15,00. Todos terão direito a certificado e apostila com o conteúdo apresentado.
Considerado com uma grande alternativa deste século, o bambu foi aprovado em todos os testes. “Sua compressão, flexão e tração já foram amplamente testadas e aprovadas em laboratório”, afirma Marco Antonio Pereira. A mostra enfatiza os vários aspectos envolvidos na concepção e no desenvolvimento do projeto, que incluem atividades de ensino, pesquisa e extensão, bem como a realização de oficinas de construção e palestras.
Projeto Taquara
Segundo a assessoria de comunicação da Faculdade de Engenharia, o projeto Taquara realiza oficinas (sempre às sextas-feiras pela manhã) para a instrução e capacitação de alunos e agricultores interessados na confecção de mudas de bambu, formas de plantio e manejo, e ainda o seu uso na cadeia produtiva e no processamento e desenvolvimento de produtos com bambu.
Com o apoio do grupo Taquara, formado por estudantes dos cursos de design e arquitetura, os moradores do assentamento confeccionam produtos em Bambu Laminado Colado (BLC) e em bambu in natura, além de adquirir conhecimentos sobre os usos do bambu para a confecção de estruturas e instalações. De acordo com Pereira, “essa é uma oportunidade real para os alunos repassarem os conhecimentos adquiridos durante a graduação à comunidade.”
O Brasil, onde existem grandes florestas inexploradas, possui todas a principais espécies da planta, 14 ao todo. No estado do Acre, por exemplo, os bambuzais cobrem 38% do Estado. O Projeto Bambu teve início em 1990, com o plantio de mudas de espécies prioritárias - 19 ao todo - para desenvolvimento de pesquisas com enfoque principal na produção de matéria prima renovável. Participam do projeto professores e alunos dos cursos de engenharia mecânica e design, e a Incubadora de Cooperativas Populares da Unesp (Incop).
Segundo o pesquisador Marco Antônio Pereira, “as plantas vêm sendo utilizadas em pesquisas sobre a viabilidade do desenvolvimento de produtos sustentáveis em bambu, que possam contribuir para evitar o uso/corte de madeira nativa e/ou de reflorestamento”, explica. Ele é autor do livro “Bambu de corpo e alma”, em parceria com o docente da Unicamp, Antonio L. Beraldo.
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Resistente
A resposta é que ele é um material barato e auto-renovável, leve e forte, estético e tropical, resistente e energético. Também possui excelentes características biológicas, físicas, químicas e mecânicas que o habilitam a ser utilizado em numerosas aplicações práticas.
Cultura tropical, renovável, perene, de produção anual, de rápido crescimento, com cerca de 1,3 mil espécies espalhadas por todo o planeta tem milhares de aplicações. Considerado um rápido sequestrador de carbono atmosférico possui, ainda, características físicas e mecânicas que o tornam apto a ser utilizado no desenvolvimento de produtos normalmente produzidos com madeira nativa ou de reflorestamento, tais como componentes da construção civil, cabos para ferramentas agrícolas, painéis, entre outros. As possibilidades de exploração na agroindústria vislumbram fábricas de polpa e celulose para papel, móveis, artesanato, pisos e cabos de ferramentas à base de bambu laminado colado, casas populares e brotos.