Cara amiga Ana Maria Lellis Krupelis, respeito sua opinião sobre o Enem, mas lamento não partilhar dela na íntegra. O objetivo dessa avaliação deveria ser bem maior do que os objetivos partidários e de imprensa sensacionalista. O que ocorre na verdade é uma disputa das melhores entidades de ensino, dentre elas, na sua maioria, as melhores escolas particulares pelas primeiras colocações. Eu leciono na rede pública do Estado de São Paulo há 15 anos e apesar de pertencer à maior rede de ensino do país, com 220 mil professores, podendo atender a quase seis milhões de alunos em SP, não aparece nenhuma escola pública do Estado de São Paulo no ranking das 119 melhores colocadas no Enem 2009 no site http://veja.abril.com.br/educacao/enem/. Aparece uma escola na posição 120 e depois aparece outra na posição 187. O Enem já mostrou que o ensino público de SP está defasado e agora eu queria ações para enfrentar as dificuldades e não outra avaliação para humilhar. Se o governo quer introduzir alunos pelo programa Pró-Uni, pode fazê-lo muito bem sem a seleção.
O Enem não melhora em nada, pois não aponta as dificuldades específicas de cada região, passou a ter caráter seletivo e nem todos os alunos que dominam os assuntos do Enem estão qualificados para enfrentarem um curso acadêmico. Quem tem conhecimentos sobre assuntos do Enem pode ter o seu conhecimento limitado à assuntos do que caem somente no Enem, esquecendo outros assuntos. Ao senhor Ricardo Ruiz, que publicou um ótimo artigo também em 16/11, teclo que não perdemos o valor da profissão, grandiosidade, pois a maioria ainda tem bom senso de perceber quem arrocha o salário deles há muito tempo. Esse ano fizemos uma greve em maio que não foi muito divulgada e 80% dos professores votam pela mudança de governo em SP, de acordo com pesquisas divulgadas na net. Um abraço.
Fernando Luis Bento- professor